visão de longe

Estamos cada vez mais míopes?

A miopia pode ser evitada ou lentificada em sua evolução?

 

A incidência da miopia vem aumentando no mundo todo e pode ser uma resposta fisiológica (natural) do olho às exigências do mundo atual, cada vez mais tecnológico.

 

A evolução dela também!

 

Visão embaçada para longe…queixa cada vez mais freqüente do míope nos consultórios muitas vezes antes do usual intervalo de um ano entre consultas. O uso freqüente e contínuo do computador (além de celulares, ipads e outros equipamentos que a tecnologia desenvolveu para nosso beneficio e praticidade) faz com que a distancia focal de perto seja muito mais solicitada que antes. A leitura prolongada aumenta a necessidade (e o esforço) de acomodação e pode promover o alongamento do olho da criança, tornando-a mais míope. No adulto, o “aumento” da miopia ou a sensação de piora da visão de longe (principalmente à noite, após um dia inteiro de trabalho) é fruto da acomodação do olho à distancia que é solicitada mais intensamente – a de perto.

Como conseqüência, para dirigir ou ver o numero do ônibus à noite fica mais difícil, com certeza! Mas será que devemos aumentar sempre o grau dos óculos frente a esta exigência? Isso alteraria o ritmo (e freqüência) de ajustes de grau que deverão ser feitos no futuro?

Provavelmente sim.

Uma alternativa viável? Usar os óculos anteriores (“mais fracos”) no trabalho e deixar  a nova prescrição (“mais forte”) para quando sair do trabalho, quando a exigência  de longe for maior e a prescrição se mostrar insuficiente (por causa do esforço acomodativo contínuo nas terafas do dia a dia).

 

Uma estratégia que deve ser tentada:  a cada uma hora de trabalho fazer alternância do foco, mantendo o olhar dirigido a um ponto bem longe da mesa de trabalho (qualquer imagem que necessite mais detalhamento do que simplesmente observar uma nuvem no céu…). Desta forma já estaremos ajudando a diminuir a queixa visual proveniente do uso excessivo da tarefa discriminativa visual para perto (leitura no papel e na tela), exigência da vida moderna.

 

Outra estratégia é aumentar a atividade física ao ar livre (quando relaxamos a acomodação e deixamos de potencializar o aumento da miopia).

 

Uma outra constatação é que a criança que pouco brinca ao ar livre tem menos oportunidade de relaxar a acomodação (contração da musculatura ocular – musculo ciliar- necessária à visão nitida para perto).  Essa seria uma das causas do aumento dos casos de miopia em idade cada vez mais precoce e justificaria a maior incidência em meninas, que participam menos de atividades coletivas ao ar livre.

Outro aspecto citado na literatura disponível a respeito é o fator nicotina. Grávidas fumantes gerariam com mais freqüência filhos míopes do que as mães não fumantes.

Miopia, hipermetropia ou presbiopia?

Por que alguns de nós desde cedo enxergam mal e outros só deixam de ver bem após os quarenta ou cinqüenta anos?

 

A retina é a membrana (tecido) que “forra” internamente o olho. A informação do objeto que vemos é transmitida à retina através das camadas transparentes do olho. Estes são a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o corpo vítreo, na seqüência em que são atravessados pelos raios que formarão a imagem do objeto a ser identificado.

Então, como condição primaria para enxergarmos bem, estas estruturas têm que estar transparentes e ter a refringência estimada e considerada padrão. Refringência é a capacidade de desviar o trajeto de um raio luminoso e com isso mudar as características daquilo que é visto.

Por exemplo, quando estamos dentro de uma piscina com os olhos abertos, dentro da água, a forma dos objetos que vemos pode estar diferente e com certeza menos nítida do que quando enxergamos através do ar. A razão para isto é a diferença entre o coeficiente de refração da água e o do ar. No olho,a refringência é dada basicamente pela curvatura e a densidade da córnea e do cristalino. Outro fator importante é a distancia que existe entre o ponto central da córnea (eixo visual) e a parte mais posterior do olho. Chamamos esta distância de diâmetro ântero-posterior do olho. Ele determina se o individuo é emétrope, míope ou hipermetrope. Estes três parâmetros juntos (córnea,cristalino e diâmetro antero-posteriorior) identificam a capacidade refrativa do olho. E ela nos informa sobre a necessidade ou não do uso de lentes corretoras para restaurar a capacidade visual.

Vinte e quatro milímetros é o valor considerado padrão para a distancia antero-posterior do olho. Seria este o “tamanho” do olho dito emétrope, ou seja, “normal”. Em outras palavras, um olho que não precisa de auxilio óptico para focalizar imagens para longe.

Existem pessoas hipermetropes. Aquelas com olhos pequenos de menos de vinte e quatro milímetros de comprimento. E as míopes têm olhos mais “compridos”. A situação de hipermetropia exige que o olho acione mecanismos de compensação para dar nitidez à imagem. É aí que entra o mecanismo de “acomodação” do olho. A capacidade de mudar de forma é que permite ao cristalino focar objetos próximos. O “músculo ciliar” se contrai e modifica sua forma, tornando-o mais curvo e trazendo a imagem para o foco na retina. Lembre-se de que como o olho hipermetrope é menor do que o padrão, a imagem teria seu foco atrás da retina e não sobre ela. Por isso a necessidade da “correção” do foco providenciada pelo próprio olho. No caso da miopia infelizmente o olho não processa de forma satisfatória este redimensionamento. É por isso que os míopes costumam usar óculos desde cedo, na infância ainda. Já os hipermetropes (exceto em casos específicos que serão comentados mais à frente) podem prescindir de correção óptica por um bom tempo durante a vida.

O astigmatismo é basicamente uma alteração da superfície corneana. Não há regularidade e a imagem apresenta deformações. Em casos menos freqüentes esta irregularidade na forma é do cristalino, mais que corneana. O astigmatismo corneano é de mais fácil correção do que o cristaliniano, embora sejamos capazes de neutralizar os dois. Novamente aqui,como na miopia, o olho não consegue compensar, a não ser pequenos graus de astigmatismo.

Em uma linguagem bem simplificada:

Um objeto é visto nitidamente quando seu foco se dá na retina. Nem antes nem depois deste tecido que é responsável pela captação dos sinais dos objetos que vemos. Estes dados serão transformados pelas células retinianas em informação e enviados através do nervo óptico até a parte posterior do cérebro (córtex occipital). É lá onde eles serão decodificados e transformados em imagem, em questão de fração de segundos!

Daqui em diante, para facilitar o entendimento, nos referiremos à visão para longe, como aquela em que enxergamos o está distante de nós pelo menos à distancia do nosso braço esticado. Esta distancia seria na verdade, uma distancia intermediaria. A quantidade de acomodação necessária para ver nitidamente a esta distancia é maior do que a necessária para ver a dois ou três metros. A menor acomodação do olho ou a situação em que este processo não é necessário para dar foco ao que vemos, é identificada como sendo a visão de longe.

Nós, médicos, consideramos seis metros o nosso “padrão” para longe, o “infinito” oftalmológico. Em outras palavras, se há necessidade do uso de  óculos para corrigir a visão de longe, este valor é obtido considerando o grau que mais nitidamente focaliza objetos a uma distancia de seis metros.

Para perto avaliamos a refração (grau) que nos permite ver bem a trinta e sete centímetros. Esta é a distancia para a qual a visão de perto é corrigida. São nossos óculos de leitura. As várias distancias ditas intermediarias variam de acordo tanto com a necessidade profissional de cada um de nós quanto nossa estrutura morfológica e biométrica. Somos diferentes uns dos outros. Uma pessoas são altas, outras baixas, umas com braços mais compridos do que outras e assim por diante. As dimensões do corpo têm influencia na distancia mais confortável de leitura. Ela é variável, para cada um de nós. Mas temos que partir de um padrão, determinado como sendo  trinta e sete centímetros (valor impresso nas tabelas disponíveis para mensurar a capacidade de leitura). Cabe ao médico e ao paciente identificar a melhor correção em cada caso.

Voltando à visão, já sabemos que fomos programados para enxergar para longe. Temos capacidade de “corrigir” a visão para distancias mais curtas e o fazemos através da acomodação, como já vimos. A capacidade funcional deste músculo diminui com a idade. O leigo chama este processo de “vista cansada” e nós médicos de “presbiopia”.

A diminuição lenta, mas progressiva da capacidade contrátil das fibras do músculo ciliar (como a dos vários outros) é responsável pela necessidade de uso de correção óptica para perto. Com a perda progressiva da elasticidade do cristalino fica reduzida sua capacidade de mudar sua forma para focalizar perto.

A partir daí vamos precisar de óculos ou lentes de contato para leitura.Calma, não é o fim do mundo…apenas o inicio de uma nova fase!