Mês: agosto 2011

Flashes,fosfenos,sensações visuais incomuns e medicamentos…uma relação mais que possível!

Flashes,fosfenos,sensações visuais incomuns e medicamentos …uma relação mais que possível!

Novos medicamentos surgem a todo momento.A velocidade da produção cientifica e a utilização na prática diária dos inúmeros novos medicamentos nas várias especialidades torna quase impossível ao médico estar cem por cento a par de efeitos colaterais destas novas drogas, a não ser que ela seja usada em sua prática diária, ou seja, na sua própria especialidade.

Como oftalmologista,ao fazer recentemente uma pesquisa em relação à droga trimetazidina (utilizada mais comumente em cardiologia),fui surpreendida com um efeito colateral ocular freqüente relacionado a esta droga.

Tem aumentado muito a busca por informação médica por parte do leigo. A internet oferece esta oportunidade e esta transferência de conhecimento tem tido um impacto positivo na relação médico-paciente,desde que bem estabelecida  e validado o recurso on line.

Neste blog publiquei alguns posts falando sobre uma queixa muito comum que são as impressões luminosas,quaisquer  que sejam as formas e nomes pelos quais as conheçamos: flashes e fosfenos (na nomenclatura médica) e  clarões ou raios luminosos ou diversas outras formas descritivas de alguma forma de percepção luminosa na ausência de focos luminosos que as justifiquem. Por isso as chamei de “impressões luminosas” .

Ocorre que a tal medicação (TRIMETADIZINA) exibe um percentual elevado de relato de fosfenos (como descrito na bula).É o efeito colateral mais comum (embora não seja o mais grave,claro).

Então fica aqui o alerta: esta é uma causa freqüente de aparecimento de flashes ou fosfenos sem que haja nenhuma alteração anatômica retiniana,nenhuma distrofia ou buraco que signifiquem risco para descolamento de retina (DR). Os flashes de origem retiniana são importantes sintomas que devem ser avaliados o quanto antes para reduzir o risco de DR através de tratamento precoce da causa. Ela é geralmente uma distrofia do tecido retiniano com presença de alguma pequena tração ou mesmo um orifício que devem ser monitorizados devidamente pelo oftalmologista para a prevenção do DR.

Mesmo os pacientes em uso desta droga (trimetadina), prescrita na maior parte das vezes como parte do arsenal terapêutico utilizado nas anginas (pectoris) e outras formas de isquemia dos tecidos (miocárdico,cerebral e outros) devem realizar um mapeamento de retina (MR)para afastar causa retiniana.

Apenas após um exame oftalmológico negativo poderemos considerar os sintomas como efeito colateral da droga. E caso após algum tempo de uso (em torno de 2 a 3 meses) o sintoma permaneça, o medico assistente deverá ser consultado a respeito do risco-beneficio de continuar a droga.Muitas das vezes o paciente deixa de perceber essas faíscas ao longo do tratamento.

Alucinações visuais ou sensações visuais anormais são relatadas como efeitos colaterais referidos por indivíduos em uso de um percentual elevado de drogas (mais de 50). Por isso a busca por informações relacionadas a este tipo de sintoma é muito grande.O post mais visitado no meu blog é o referente a essas alterações visuais.

Então para esclarecer: apesar de muito comum, essa queixa visual precisa ser avaliada do ponto de vista oftalmológico antes de ser pensada como de qualquer outra etiologia (causa), inclusive efeito colateral de medicação em uso.

Outras dúvidas a respeito consulte o conteúdo do blog  e os vários links  para instituições e serviços de conteúdo informativo em oftalmologia para leigos.

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Você sabe o que é ambliopia e a importância do diagnóstico precoce?

O objetivo aqui é lembrar a importância do diagnóstico precoce da baixa visual na criança. O sistema visual é dotado de uma plasticidade excepcional, mas a intervenção profissional após os oito anos de idade não resulta em benefício palpável à visão do individuo. Estou me referindo a um  distúrbio visual conhecido como “ambliopia” em que a visão de um dos olhos é menor que a do outro, mesmo tendo sido corrigida a sua refração (“grau do olho”).

A causa pode ser uma diferença importante de grau entre os dois olhos, um estrabismo (desvio dos olhos) inaparente ou tão pequeno a ponto de não ser observado pela família ou professores da criança. Ou ainda uma doença ocular (ainda não diagnosticada)  num dos olhos apenas (tipo catarata congenita, retinocoroidite por toxoplasmose).Em todas essas situações o olho em questão não recebe informação da área responsável pela visão no córtex cerebral.Ou pelo menos não a processa da mesma forma que o outro olho podendo gerar uma disparidade de imagens intolerável a ponto do cérebro “anular” uma das imagens e aquele olho em questão não se desenvolver do ponto de vista funcional. Ele tem a estrutura aparentemente normal, porém quando avaliamos a função visual  verificamos que apenas um dos olhos tem visão normal,cem por cento ou 20/20,citando a escala americana (tabela de Snellen) que é a referência universal em termos de acuidade visual.

E (aí reside a importância da informação),se não instituímos terapêutica apropriada,de preferência até os seis anos, na idade adulta esse individuo jamais terá a possibilidade de reverter a disfunção e atingir qualidade visual normal no olho dito “amblíope”. As campanhas nas escolas, através do programa de treinamento de professores e funcionários capacitados para este tipo de avaliação é importante nas regiões em que o acesso dessas crianças ao oftalmologista é difícil.

Nas áreas metropolitanas o encaminhamento da criança para avaliação visual deve ser feito de forma sistemática pelo pediatra ou pela escola, pelo menos aos seis anos de idade. Idealmente seria referido aos quatro anos. E aqueles com baixo peso ao nascer ou originados de gravidez de risco ou ainda aquelas crianças que necessitaram do uso de incubadora devem ser avaliados pelo oftalmopediatra antes de deixarem a maternidade. Se esse protocolo não for seguido, a criança deverá ser avaliada por oftalmologista nos primeiros meses de vida (teste do reflexo vermelho, também conhecido como “teste do olhinho”) e se não existir nenhuma outra intercorrência devem ser reavaliados aos dois e aos quatro anos de idade.

Existem várias formas de avaliarmos crianças pré-verbais, que anda não podem informar a visão. Dependendo da faixa etária, além do “reflexo vermelho”, a simples oclusão de um dos olhos ,sem que se encoste a mão na criança (uma vez que isso pode gerar desconforto e a resposta mal interpretada) pode sinalizar existência de anormalidade visual. Quando colocamos a mão na frente de um dos olhos da criança e ela chora ou tenta se esquivar, podemos estar obstruindo a visão do único olho pelo qual ela vê o mundo e por isso ela chora ou se altera. Um teste fácil de ser realizado e que se repetido várias vezes e mostrar a mesma resposta pode sinalizar déficit visual importante. Simples assim!

Links para mais informações a respeito:

http://www.sbop.com.br/sbop/ste/interna.asp?campo=60&secao_id=32

http://www.isodf.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=104%3Aambliopia&catid=19%3Aconteudo-doencas-oculares&lang=pt