Defeito de campo visual,AVE e arritmia cardíaca

Este é um dos casos que serão relatados a respeito de alteração campimétrica como sintoma inicial de acidente vascular encefálico (ou AVE):

Um homem de 65 anos,que convivia há vinte anos com uma arritmia cardíaca fazia uso de três drogas para manter seu quadro estável. Sentia-se bem, assintomático do ponto de vista oftalmológico e fazia exames de rotina a cada dois anos, até o dia em que notou,ao acordar,a perda de parte do seu campo visual.

Confirmado o defeito de campo visual e relacionado a provável evento neurológico foi internado para confirmação diagnóstica e tratamento.

Trinta dias após a alta hospitalar, retornou para avaliação da visão. Estava muito satisfeito por não ter tido seqüela alguma, visual ou física, do AVE que tivera. Relatou que  o acidente isquêmico deveu-se à deficiência da anticoagula- ção a que se submetia há muitos anos, devido à arritmia cardíaca. Ele usava um medicamento e decidiu trocá-lo pelo genérico, de menor custo. Quando deu entrada na emergência do hospital, foi avaliado o seu INR (índice que avalia o risco de trombose), que estava muito abaixo do ideal para reduzir o risco de acidente tromboembólico.

Foi-lhe dito que, apesar da medicação estar sendo usada, a anticoagulação estava deficiente. Assim que tomaram as medidas necessárias para aumentar a “fluidez”do sangue,o campo visual começou a melhorar e após alguns dias de estabilidade,teve alta com instruções para monitorizar constantemente seu INR e visitar periodicamente o seu cardiologista.

Ele voltou a usar a medicação antiga e estava “bem” até que teve novo AVE, como eu já havia dito no post anterior.

O que eu não disse foi que ao retornar para uma revisão do grau dos óculos, mais de um ano depois, ele estava amargurado com a seqüela física que ainda o incomodava e reclamava dos médicos. ”Nunca, nesse tempo todo de arritmia,usando anti-coagulantes, fui orientado a fazer qualquer alteração na minha alimentação por causa do remédio  que eu estava usando…talvez pudesse ter evitado tudo isso…”

Ele estava se referindo à influência de alguns alimentos na qualidade da anticoagulação de alguns remédios utilizados com esta finalidade. Alguns medicamentos têm a sua eficiência diminuída quando comemos alguns alimentos específicos. Se não pudermos evitá-los, pelo menos devemos aumentar a dose da medicação para que o mesmo efeito seja obtido. E nem preciso lembrar que só o médico está habilitado a fazer estas alterações e sempre de acordo com as normas existentes para tal fim ou assistido por um nutricionista.

Estive recentemente num simpósio sobre trombose e conversando com uma das palestrantes, falei sobre esse paciente e o uso de genéricos. Ela confirmou que, com certeza, a anticoagulação ineficiente não fôra causada pela substituição da medicação,uma vez que no serviço público,todos os pacientes atendidos por ela usam as drogas mais baratas e não havia nunca sido reportado entre eles, falha atribuível a essas drogas. A causa mais freqüente era o controle insuficiente do INR devido à alimentação inadequada. Por falta dos ajustes necessários.

Vamos rever o caso? Trata-se de um homem com escolaridade superior, que ainda jovem teve que lidar com uma arritmia, mas que até hoje, ainda não havia se dado conta da complexidade que envolvia o seu tratamento. Ele era um leigo no assunto, mas será que os médicos que o tratavam também não sabiam e, só recentemente quem estuda a anticoagulação percebeu a relação entre a dieta e a eficácia da medicação?

Ele também delegou a outros a responsabilidade sobre a sua saúde. Não é questão de confiar ou não no outro. A quantidade de informações que devem ser cruzadas para se chegar a um consenso a respeito de cada caso especifico e único em sua apresentação torna impossível que possamos dar conta de tudo sozinhos. Nós, médicos, precisamos que o paciente nos veja como profissionais amigos que têm a tarefa de ajudá-los a se cuidar, mas que precisamos de parceria neste processo. Perguntem,questionem,dividam conosco suas dúvidas e deixem que dividamos com vocês as nossas. Somos humanos não somos deuses.

De qualquer forma, como disse antes, como os avanços da medicina acontecem após muitos anos de tentativa e erro,como em todas as áreas do conhecimento humano, é bem mais prudente e nos poupa tempo, dinheiro e saúde,fazermos a prevenção das doenças.

Você não está de acordo?

sobre anticoagulação

Sites onde você encontra orientação sobre anticoagulantes, definição de INR,drogas alopáticas,fitoterápicas (“remédios naturais”) e alimentos que potencializam ou reduzem os efeitos destas drogas:

www.mdsaude.com/2009/01/interacoes-com-varfarina-marevan.html#imxzz163SeGov

www.fqm.com.br/Site/br/publico/Anticoagulacao.aspx#p15

Outra referência sobre anticoagulantes orais e vitamina K

www.drashirleydecampos.com/noticias/17983

Alimento funcional e arritmia cardíaca

Uma link interessante sobre alimentos funcionais, publicado por Marcos Vinhal Campos,2008 www.revistavigor.com.br/2008/08/19/alimentos-funcionais-uma-nova-alternativa/

Outros:

http://portaldocoracao.uol.com.br/materiais.php?c=nutricao&e=450

www.nutricaoativa.com.br

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