Objetivos do tratamento do glaucoma

Em outras palavras, qual ou quais os objetivos do tratamento (e monitorização) da doença glaucomatosa?

O que se pretende de uma droga anti-glaucomatosa é a diminuição da pressão intra-ocular (PIO), aliada a uma menor “flutuação diuturna” (variação dos valores da pressão intra-ocular nos diferentes períodos do dia e da noite). Assim como o“efeito sanfona” é indesejável em relação ao tratamento da obesidade, a flutuação da PIO compromete o tratamento da doença glaucomatosa. O esquema terapêutico ideal deve ser avaliado caso a caso e o paciente deve ser exaustivamente monitorizado até termos certeza de ter o controle da doença.

  • Isto acontece quando a PIO é reduzida em 30% em relação à pressão de antes do início do tratamento e
  •  se tem a certeza de não haver oscilação pressórica importante.

Ou seja, do ponto de vista oftalmológico, os dois objetivos terapêuticos foram atingidos: a pressão-alvo foi identificada (e se conseguiu a redução desejada e necessária) e não existe flutuação da PIO.

Cabe ainda a avaliação sistêmica, feita pelo cardiologista, para melhor controle da oxigenação do nervo óptico, principalmente à noite.

O risco de progressão da doença glaucomatosa é diminuído em 12 a 13 % a cada 1mmHg de redução da pressão intra-ocular!


Drogas anti-glaucomatosas:

São cinco as classes de drogas hipotensoras oculares utilizadas no tratamento do glaucoma. Elas reduzem de 15 a 35%  da PIO e podem ser combinadas entre si para melhor controle terapêutico.

Elas são: os betabloqueadores (timolol, betaxolol, levobonulol, cartelol), os análogos da prostaglandina (latanoprosta, travoprosta e bimatoprosta), os inibidores da anidrase carbônica (dorzolamida e brinzolamida) e um alfa-agonista (brimonidina). Os mióticos (pilocarpina p.ex.) são usados em raras situações, hoje.

Após a instilação dos colírios, os olhos devem ser mantidos fechados durante 2 minutos. O objetivo é evitar que o colírio entre no ponto lacrimal (um orifício no canto interno da pálpebra inferior) e seja absorvido sistemicamente (ou seja, atue em vários outros locais que não apenas os olhos), com possíveis efeitos colaterais indesejáveis.

Em relação aos betabloqueadores, os efeitos adversos mais importantes são a   asma (timolol) e a redução do batimento cardíaco ou bradicardia (muitas vezes apenas nos seis primeiros meses de uso). Ainda em relação a este tipo de droga, elas podem acelerar a queda de cabelo e devem ser utilizados com cautela em indivíduos diabéticos (aumentam o risco de hipoglicemia). A brimonidina pode causar alergia e sensação de fadiga. Em relação aos análogos das prostaglandinas, a cor dos olhos pode se modificar com o escurecimento da íris. São freqüentes também a pigmentação das pálpebras (olheiras), o aumento dos cílios e sobrancelhas, além de aumento da inflamação em olhos já predispostos (umas substancias mais do que outras), ou seja presença de “olho vermelho”. Já as câimbras e sintomas tipo gripe são mais comumente vistos no uso de bimatoprosta. Estes são alguns dos efeitos colaterais mais comumente observados com o uso das drogas anti-glaucomatosas.   

 

Apesar da decisão terapêutica se dar caso a caso, em um glaucoma de apresentação típica e na ausência de fatores preditores de evolução negativa, existe um consenso em relação ao primeiro ano de tratamento: deve-se medir a pressão (PIO) a cada 4 meses, fazer campimetria visual a cada 6 meses, retinografia a cada ano e exame de imagem para detecção de perda de camada de fibras nervosas a cada 8 meses. Esse protocolo é seguido após se atingir a pressão-alvo.

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