visual snow

“Visual snow” e readaptação visual… uma possibilidade?

A fisiopatologia da “neve visual” ainda é desconhecida. Mas, em termos leigos, por ora, poderíamos dizer que os portadores dessa “sensação visual” são indivíduos cujos cérebros apresentam hiper-reatividade cortical.

O processamento visual se dá no encéfalo. Os olhos recebem a informação fotoquímica e o nervo óptico faz a conexão com os centros visuais no cérebro.Então sabemos que percepção visual é um processo de estágios múltiplos.

A percepção visual normalmente é seletiva e envolve omissão: imagens menos importantes ou que causam confusão são “ignoradas” pela “mente que vê”, ou seja, a região em que é processada a informação visual.
A seletividade da percepção depende de processos cognitivos cerebrais e estaria alterada, por exemplo, em disfunções bioquímicas do cérebro. Um exemplo seria a epilepsia foto-sensitiva, em que existe uma sensibilidade exagerada ao “flickering”, que nesse caso desencadeia uma resposta anormal à estimulação luminosa intermitente e/ou certos “padrões visuais”

O sistema nervoso autônomo controla a função autonômica (vegetativa).

A dopamina, assim como a adrenalina, é um dos transmissores que ajudam a fazer a “sintonia fina” dos níveis de atividade neural. Portanto, o TDAH ou DDA (déficit de atenção com hiperatividade), assim como a depressão, síndrome do pânico, e TAG ou transtorno da ansiedade generalizada, não são raros em indivíduos que se queixam de “neve visual”.Sabemos também que,“do ponto de vista fisiológico, no transtorno de ansiedade generalizada ocorre a ativação do sistema nervoso autônomo.Os pacientes ansiosos tendem a ter um tônus simpático aumentado, respondendo emocionalmente de forma excessiva aos estímulos ambientais e demorando mais a adaptar-se às alterações do Sistema Nervoso Autônomo em http://www.psiqweb.med.br/

Outras comorbidades possíveis (esperadas) no caso da conexão simpática (Sistema Nervoso Autonomo) ser uma das vias fisiopatológicas da “neve visual”:

A síncope vasovagal (p.ex. no indivíduo que passa mal quando vê sangue, quando se submete a punção venosa, quando vê um ferimento grande). A hiper-hidrose, distúrbios do sono (incluindo a narcolepsia), AIT (acidente isquêmico transitório), hipotensão ortostática,taquicardia de repouso,esofagite de refluxo, bexiga neurogênica, dores no peito (por estresse) e espasmos musculares ou tiques.
Ou ainda: aura migranosa persistente (PMA), desordem de percepção halucinogenica persistente (HPPD), despersonalização / desrealização, anisedade (TGA), depressão, síndrome do pânico e palinopsia ( que é a persistência anormal das pós-imagens positivas).

A neve visual parece ser mais comum em pessoas que são extremamente observadoras e hiper-reativas. Nelas também é mais frequente a percepção de fenômenos entópticos. Poderia ser avaliada então como uma variação da percepção visual normal. Mas é imprescindível que exames complementares sejam realizados para excluir causas orgânicas secundárias, como efeitos colaterais de alguns medicamentos, uso de drogas ilícitas, ou ainda neoplasia encefálica, doença desmielinizante e outras patologias neurológicas.

Descartada a causa orgânica, que uma vez tratada faria cessar a “alucinação”, uma possibilidade de lidar com o sintoma visual seria a habituação.

A habituação é um fenômeno fisiológico e a utilização dessa técnica foi sugerida e tem sido utilizada em indivíduos portadores de zumbido, como forma de minimizar o seu desconforto.

Habituação é o aprendizado de novos padrões de informação. Ela se daria a partir da redução de respostas sensoriais e se basearia na repetição de estímulos sensoriais. Essa repetição, além de promover a adaptação ao padrão individual adquirido estimularia o órgão sensorial, criando novos automatismos.
A estimulação constante do ouvido (utilizando uma frequência semelhante à do zumbido e em altura suficiente para suplantá-lo) leva após um determinado período à ausência de percepção do zumbido. Nesse caso teria sido criado um novo padrão de percepção auditiva que “filtraria” o ruído adventício (zumbido) mantendo-o num plano secundário, acessível apenas em momentos mais críticos em que esse mecanismo de bloqueio fosse inativado.

A percepção espacial de movimento depende da integração dos centros oculares e proprioceptivos (corticais superiores). A memória visual está localizada no córtex visual secundário que abriga as conexões superiores relacionadas à visão. Essas conexões poderiam ser ativadas e desativadas, conforme o estímulo. Da mesma forma que o individuo percebe estímulos visuais excessivos, não necessários ao processamento da informação visual recebida cada momento (como no caso dos fenômenos entópticos), ele pode aprender a “não vê-los”. A não tomar consciência deles.

Assim como existe a readaptação vestibular na vertigem, pode-se buscar a readaptação processual visual em relação às sensações visuais incomuns (p. ex. “visual snow”). A idéia seria, através de estímulos visuais repetitivos, provocar a habituação (das vias responsáveis pela percepção visual) aos fenômenos entópticos e sensações visuais incomuns.

Essa sugestão parece interessante e deveria ser investigada por especialistas em reabilitação. Existem técnicas (hoje cada vez mais difundidas) utilizadas no tratamento da dislexia visual (síndrome de Irlen), que é uma disfuncionalidade do processamento visual. Assim como parece ser a síndrome da “neve visual”.

E assim como hoje se reconhece a possibilidade de modificar o processamento visual na criança disléxica, será que a técnica de habituação não poderia levar à readaptação visual nos indivíduos portadores de “visual snow”?

Referencias:

Livro: “Visual Perception: a clinical orientation” 2010, Schwartz S.,McGraw-Hill Publishing Co

Links:

http://uk.answers.yahoo.com/question/index?qid=20120515144530AALtrai
http://porillion.wordpress.com/pma-visual-snow-faqs/
http://www.aber.ac.uk/media/Modules/MC10220/visindex.html
http://www.mundot2.com.br/portfolio/ritaangelo/downloads/cinesioterapia/cinesioterapia31.pdf

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Visual snow…vamos ajudar a entender?

 

 

Um internauta encaminhou dúvida a respeito da neve visual, sintoma bastante incomodativo e muitas vezes incapacitante. Como ele vários outros têm relatado este sintoma, sem que tenha sido proposta alternativa terapeutica eficaz:

 

“Gostaria de saber sua opinião sobre um tema relacionado à visão, até então, acredito eu negligenciado pela medicina brasileira e de muitos outros países. Me refiro ao que tem sido relatado como neve visual ( do inglês: “visual snow”) ou síndrome da neve visual, cujos sintomas passei a desenvolver há algum tempo. Dentre esses sintomas, o principal é a visualização de imagens como estática de aparelho de tv, com chuviscos, principalmente quando se olha para superfícies escuras ou ambientes com pouca luminosidade, outro sintoma característico é a palinopsia que  consiste na visão do contorno de um objeto por algum tempo após ter desviado o olhar do mesmo…”

Diz ainda:

“…São sintomas muito incômodos que culminam muitas vezes em depressão ou pânico. Eu particularmente estou preocupado, ansioso e com baixa auto-estima por causa disso”.

E sugere links para consulta a respeito de neve visual (visual snow):

“Para uma visão geral do assunto:
http://en.wikipedia.org/wiki/Visual_snow

http://www.psychologytoday.com/blog/overcoming-pain/201205/melting-the-myths-visual-snow

http://www.eyeonvision.org/visual-snow.html

Grupo internacional no facebook:
https://www.facebook.com/groups/229020277110681/

Um estudo sobre o assunto:
http://neuronresearch.net/vision/clinical/snowyvision.htm

Desde já agradeço o espaço e a oportunidade de expor esse assunto!”

 

Este tópico vem sendo discutido cada vez mais, provavelmente devido a aumento rápido e importante da sua incidencia na população. Uma investigação clinica primária pode ajudar pesquisadores a entender a fisiopatologia da sensação visual incomum e principalmente encontrar um meio de neutralizar este sintoma que pode reduzir drasticamente a qualidade de vida do individuo portador.

 
Sugestão de questionario básico (“aproach” inicial)

<strong>QUESTIONARIO “VISUAL SNOW”</strong>

1-sexo,idade,
2- quanto tempo de uso tela computador/dia?
3-especificações de tela?
4-atividade principal (tela com gráficos, apenas textos, muitos matizes de cor e desenhos,etc)
5-quando começou (tempo) a percepção do “visual snow”?
6-quanto tempo dura o incomodo visual (24 h, algumas horas, apenas durante algumas atividades, em que situações piora.Citar)
7-a que você atribuiu ou relacionou o inicio dos eventos?
8- usa óculos? (miopia, hipermetropia e/ou astigmatismo?). Lentes com anti-reflexo?
9-você tem outros tipos de hiper-reatividade sensorial?  Zumbido, tinnitus, flashes,hiperosmia, hiperacusia…
10-Você fez algum tipo de tratamento (oftalmológico) com laser previamente ao inicio do evento visual?
11-Tem dor de cabeça frequentemente? Tem o diagnostico de migranea ou enxaqueca? Com ou sem “aura”?
12-Tem cinetose (enjoo de movimento ou motion sickness)?
13-Tem diagnostico prévio ou recente de disritmia ou qualquer outra alteração do traçado EEG?
14-Já fez PEV (potencial evocado visual)? Resultado?
15-Tem historia pessoal ou familiar (atual ou anterior) de epilepsia mesmo na forma minor, como na “ausência”?
16-Está em uso de qualquer medicamento, alopático ou fitoterápico? Vitaminas ou qualquer outra droga, lícita ou ilícita?
17-Tem pânico de falar em público?
18-Tem as mãos frias e úmidas (característica inata ou recente) principalmente quando em situações de estresse ou ansiedade?
19-Tem diagnóstico formal de transtorno de ansiedade generalizada (TAG)?
20-Em algum momento tem (ou teve) diplopia (visão dupla)? Foi diagnosticado de estrabismo latente (ou heteroforia),quando a visão binocular está alterada em alguma de suas características?
21-Tem diagnostico de alteração da visão de cores (discromatopsia)?
22-Alguma outra observação que relacione ao seu sintoma e que considere importante e não esteja comentada aqui? Cite.

Complementação:

a-Teste de Ishiara (visão de cores)
b-campo visual computadorizado
c-PEV (potencial evocado visual)
d-ERG (eletroretinograma)
e-topografia corneana ou ceratoscopia computadorizada

A avaliação da superfície ocular (aberrometria) é sugestão apenas para alguns casos especiais.

À disposição para sugestões e encaminhamento de questionarios atraves do email:

 

duvidasemoftalmologia@gmail.com