olho seco

A PANDEMIA E OS OLHOS

Neste período de pandemia temos feito cada vez mais uso de tablets, celulares, laptops e outros `devices`. Muitos tem perguntado a respeito de efeitos negativos em relação a este excesso de exposição as telas.

Efeitos da luz azul: nossa cronobiologia se regula atraves da intensidade de luz que chega a nossa retina.Claro e escuro orientam o rtimo de producao de melatonina entre outros mecanismos que regulam nosso ritmo circadiano. Excesso de luz azul (telas dos eletroeletronicos) pode atuar como disruptor deste ritmo e modificar reacoes bioquimicas muito importantes na regulacao de nossa homeostasia (equilibrio organico). Alem do proprio risco ocular advindo da maior incidenca de luz azul na retina. Acelera alteracoes metabolicas que sao fatores de risco para DMRI (degeneracao macular relacionada a idade) e todas as outras patologias derivadas do envelhecimento ocular por aumento  do dano oxidativo, alem da reducao na producao de substancias antioxidantes que atuam no proprio olho minimizando o dano diario relacionado a exposicao a luz.

Efeitos do hiperuso da musculatura ocular extrinseca e intrinseca: o excesso do uso dos musculos oculares responsaveis pelo ajustes necessarios para a qualidade da visao de perto (leitura) pode levar a sintomas durante ou depois da leitura prolongada. Dor de cabeca, ardencia e/ou ressecamento ocular (ou lacrimejamento excessivo devido a tentativa do organismo de resolver sozinho o `olho seco`), visao dupla, fadiga ocular,entre outros sintomas aos quais damos o nome de astenopia (termo tecnico).

Efeitos na modificacao da taxa de desenvolvimento da miopia em criancas cujos pais sao altos miopes: o foco mantido numa distancia de perto,por tempo prolongado em criancas, filhos de pais miopes (alta miopia) pode mudar a taxa de progressao da miopia (mesmo que ainda nao instalada). A tendencia seria no longo prazo observarmos inducao de miopizacao mais acelerada do que o esperado. A comprovacao na pratica (literatura recente) tem gerado muita preocupacao entre oftalmologistas pediatricos e gerado protocolo diferenciado para lidar com essa nova demanda.

Sinalizacoes na retina geram interacoes bioquimicas capazes de impactar o crescimento ocular e com isso as mudancas refracionais dos olhos (em termos leigos, mudanca de `grau`, uma vez que o aumento de tamanho do olho/ aumento eixo anteroposterior seria fator determinante do grau e tipo de ametropia (erro refracional que implica em necessidade de uso de oculos para prover uma excelente acuidade visual)

Um nivel educacional mais alto (maior tempo de leitura/atividade de perto diaria) aliado a menor atividade outdoor. Inclusive  atribui-se a aumento do tempo gasto ao ar livre a prevencao/retardamento do inicio da miopia

Estudos avaliaram que 40 minutos de tempo ao ar livre a mais seria responsavel por reducao de 23% da incidencia de progressao da  miopia. A exposicao a maior intensidade de luz ambiente (sol) sugere que mais tempo ao ar livre entre 11 e 12 horas leva a maior nivel de protecao, ou seja menos miopia!

Em outras palavras, passar mais tempo ao ar livre, com exposicao a luz do sol pode diminuir incidencia de miopia e retardar a sua progressao.

Textos adicionais nos links abaixo:

https://elizabethnavarrete.com/2010/09/25/a-visaoos-olhos-e-os-computadores/

https://duvidasemoftalmologia.com/2014/11/08/o-dia-a-dia-de-grande-parte-das-pessoas-e-permeado-de-informacoes-visuais-digitalizadas-em-computadores-tablets-celulares-etc-isso-faz-mal-aos-olhos/

Contato: oftalmologiaparaleigos@gmail.com

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Hábito de fumar e cirurgia refrativa…qual a relação?

Este post é resultado do comentario à pergunta de um internauta:

“…Fiz uma cirurgia a Laser PRK há 30 dias, e gostaria de saber se o uso de maconha prejudica na recuperacao?…”

 

Os olhos sofrem com agressores ambientais como a poluição. Mas a fumaça dos cigarros é tão nociva quanto a fumaça das fábricas, dos carros e de outros poluentes. Ela irrita a conjuntiva ocular (parte transparente que cobre o tecido branco escleral).

Médicos lembram a seus pacientes que a fumaça aumenta a evaporação da lágrima e com isso reduz a proteção da superfície ocular levando a sintomas de ressecamento ocular, no olho cronicamente exposto.

Um oftalmologista disse em    http://www.draeciodias.med.br/cuidados-diarios/o-cigarro-x-seu-olho  :

“…vários componentes da fumaça do cigarro estão diretamente associados à irritação ocular, induzindo desde leve hiperemia (olhos vermelhos) até lacrimejamento excessivo e, cronicamente, olho seco por lesão às células conjuntivais responsáveis pela produção de mucina, indispensável à estabilidade da lágrima…”

Acrescentaria que a lágrima é composta de três camadas que mantém uma relação constante entre si: água, óleo e muco. Quando a composição da lágrima é alterada (por excesso de óleo nas doenças inflamatórias palpebrais ou falta de muco e/ou água como na exposição crônica à fumaça (de qualquer cigarro) ela se torna instável e o filme lacrimal se rompe mais rápido que o habitual: surgem então os sintomas do olho seco.

O Lasik é sabidamente uma técnica refrativa “indutora de olho seco”. O efeito neurotrófico e a mudança no formato da córnea  juntos mudam a dinâmica lacrimal, contribuindo para a instalação do ressecamento da superfície ocular ou agravamento de olho seco prévio.

No link acima o autor comenta em relação à cirurgia refrativa (lasik) que: “… quanto maior o grau de sofrimento da superfície corneana causada pelo olho seco e pelo cigarro, maior a chance de ocorrerem alterações não desejadas no grau (refração) final destes pacientes”.

Para um melhor resultado funcional (e redução de complicações pós operatórias imediatas e tardias) deve-se otimizar a superfície ocular antes e depois da cirurgia através de medicação tópica e nutrição funcional,além de outras medidas.

Não conheço na literatura cientifica nenhuma citação específica relacionando o uso de “cannabinoides” (forma industrializada ou “in natura”) à efeitos negativos  relacionados à cirurgia refrativa. Não há consenso em relação ao uso medicinal oftalmológico (hipotensão ocular), já em discussão há bastante tempo. A via tópica ocular (ideal) da droga ilícita ainda não existe. A tentativa de se isolar o grupamento químico responsável pelo efeito hipotensor ocular (para limitar os efeitos indesejáveis a longo prazo, além da dependência) não se mostrou eficaz. Menos tempo ainda se teve para avaliar possíveis efeitos negativos dessas mesmas substancias em relação à cirurgia refrativa.

Mas o simples fato de ser fumante e, portanto, possivelmente portador de olho seco (dependendo do tempo e freqüência de uso), já torna o individuo alvo mais fácil de complicações oftalmológicas futuras (curto, médio e longo prazo) relacionadas ao Lasik.  Na técnica de cirurgia refrativa conhecida como PRK é menor o risco de olho seco, que seria o complicador principal relacionado à exposição cronica à fumaça (antes e depois da cirurgia), a meu ver.

Vários fatores se somam para levar a esses desfechos, não apenas a fumaça, lógico. Mas se eu fosse fumante teria certamente mais cuidado em relação à opção cirúrgica para reduzir o uso de lentes corretoras. Especialmente (mas não apenas…) em relação ao Lasik.Teria que escolher entre a dependência do cigarro (seja qual for a origem do fumo) ou a dependência do colírio (que pode ser por tempo indeterminado caso coexistam múltiplas situações geradoras de olho seco).

Nunca é demais lembrar que fumar faz mal à saudeoftalmológica também…e infelizmente não apenas em relação ao olho seco: a DMRI que ,segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), será  a principal causa de cegueira nos paises desenvolvidos, tem no hábito de fumar o principal fator de risco evitável!