flashes

Glaucoma: algumas dúvidas comuns…

Algumas dúvidas comuns…

“Tenho 51anos faço uso do maleato de timolol 0,5% (2 vezes ao dia ) e o Lumigan 0,01% a noite”. Se você usa duas drogas para controlar a sua doença glaucomatosa, seu médico deve tê-las prescrito porque apenas monoterapia (uma única droga) não foi suficiente para manter sua PIO alvo. Quer dizer, a sua pressão com uma droga estava acima daquela estimada pelo médico como ideal por ser capaz de impedir uma descompensação funcional (perda campimétrica) no médio ou longo prazo.

“Venho tendo flashes no canto do olho direito; de vez em quando somem depois aparecem. Eu assisti a uma matéria falando sobre esses clarões que podem ocasionar descolamento de retina.” Os clarões ou raios de luz de causa oftalmológica significam tração vítreo-retiniana e com isso risco de surgirem pequenas roturas e possível evolução para o descolamento de retina. Mas às vezes, mesmo nas roturas tratadas com laser eles podem levar um tempo para sumir por completo. Por isso a necessidade de mapeamentos de retina seqüenciais para monitorização da tração até que ela desapareça e com ela o risco de um DR. E nem toda tração levará à rotura e conseqüentemente ao DR. O que não se discute é a necessidade de seguimento até que desapareçam os sintomas.

“Mas quem tem glaucoma pode levar a ter descolamento de retina?” Entendo que você se refere à possibilidade do glaucoma desencadear o DR, não é? Nos glaucomas secundários, complicados e que são bem mais raros, até pode haver esta evolução, mas quando falamos em glaucoma, a não ser que citemos especificamente os glaucomas causados por infecção, inflamação, hemorragias intra-oculares e/ou outras causas, estamos (nós médicos) nos referindo ao glaucoma crônico simples que significa sofrimento do nervo óptico e não há nenhuma relação com a retina periférica. Então a resposta à sua pergunta é não. Mas qualquer pessoa, portadora de glaucoma ou ao pode ter um DR. E não que ele glaucoma seja a causa. O DPV e os flashes acontecem a qualquer um de nós.

“Tenho até dificuldades para comprar meus colírios…”   Você já ouviu falar de um programa do governo que fornece gratuitamente medicamentos oculares de alto custo? Seguem abaixo as etapas a serem seguidas para obter os medicamentos nas farmácias do SUS. Tanto faz se a sua receita foi fornecida por médico da rede pública ou privada. Esta informação foi obtida numa comunidade do ORKUT (“eu tenho glaucoma vejam.com.br”). Vale a pena ser verificada!

Etapas para a solicitação de colírios de alto custo:

1 – Obter o cartão do SUS
2 – Obter o formulário de medicamentos (de alto custo)mna farmácia do INSS mais próxima através do site  http://www010.dataprev.gov.br/enderecoAPS/mps1.asp&quot

3 – Ir ao seu oftalmologista com o formulário, pedir que ele preencha os campos específicos, carimbe e assine o mesmo
4 – Obter o receituário médico, em duas vias, com detalhamento do medicamento (nome da substancia base) e quantidade que a ser usada a cada 30 dias. O formulário deve ser carimbado e assinado pelo médico e esse carimbo deve conter nome, CPF e CRM;
5 – No formulário, na parte de cima, o próprio individuo pode preencher os seus dados pessoais
6 – Ir até a farmácia do INSS, levando consigo toda a documentação acima, além do seu RG, CPF e comprovante de residência.
Cada receita emitida é válida para três meses. Após esse prazo, tanto uma nova receita deve ser obtida com o seu oftalmologista quanto um novo formulário deverá ser preenchido!

Localize a agência da Previdência mais próxima de você através do link: http://www010.dataprev.gov.br/enderecoAPS/mps1.asp

O link para página da comunidade do ORKUT “eu tenho glaucoma vejam.com.br”  em que esta informação foi obtida é:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=3540200&tid=5585867322266146091&na=3&npn=3&nid=3540200-5585867322266146091-5636153757111771821

“Se eu tenho a minha visão periférica o que eu tenho seria mesmo o glaucoma ou poderia ser só hipertensão ocular?” A doença glaucomatosa é crônica e a ausência de defeito campimétrico não significa que ela não esteja presente. É necessária uma perda em torno de 20 a 30% de fibras nervosas para que se identifiquem defeitos de CV (na perimetria branco-branco); os defeitos costumam ser mais precoces na perimetria  azul-amarelo (SWAP) ou no FDT. Mas como você já deve saber (mas é sempre bom lembrar), no diagnóstico de glaucoma vários fatores devem ser levados em consideração, não apenas a pressão intra-ocular e/ou o campo visual. E nem sempre é diagnóstico fácil e rápido.

“Numa falta de dinheiro para comprar o Lumigan eu posso ficar um mês sem usá-lo? Seria muito prejudicial à minha visão?”  Nunca modifique a medicação prescrita pelo seu médico. Siga sempre a orientação fornecida por ele! Seria temerário responder que um mês sem o colírio pode não significar evolução do quadro ou que poderia haver piora rápida do glaucoma! Vale lembrar que uma vez que o diagnóstico de glaucoma foi confirmado, a evolução da doença é de caráter muito individual.

Depende também de outros fatores envolvidos como presença de doenças sistêmicas (hipertensão arterial, diabetes, enxaqueca, hipotensão arterial importante etc.) e mesmo outras doenças oculares concomitantes. E lembre-se que o glaucoma é uma doença potencialmente grave.

Ele, glaucoma, é uma das principais causas de cegueira evitável…quando bem conduzidos seu diagnóstico e tratamento.

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Moscas volantes…como lidar com elas?

Ainda sobre moscas volantes…

A quem interessar possa esse é um relato pessoal a respeito da necessidade de lidar com o desconfortável sintoma das “moscas volantes”, logo após o DPV (descolamento posterior de vítreo) agudo.

Como não tenho nenhuma lesão retiniana (degeneração periférica de risco para descolamento de retina) que possa justificar a rotura retiniana que deu inicio aos meus sintomas creio que a seqüência abaixo descreve melhor a sucessão de eventos que levaram ao meu DPV agudo (com hemorragia vítrea secundária à rotura retiniana).

Devido a um acidente de carro (aos 18 anos) tenho DPV total assintomático (98% do tempo) no olho direito. Como já tenho 59 anos não é incomum a liquefação vítrea. Nesse caso o rearranjo do gel em fibrilas pode ser resultar em grumos mais ou menos densos que acabam vez por outra atravessando o eixo visual e incomodando transitoriamente a visão. Isso se dá de forma lenta e gradual e na maioria das vezes o indivíduo só percebe os “floaters” quando presta atenção e busca ativamente por eles ou quando está muito ansioso e/ou tenso.

Em casos de DPV agudo em que se formam condensações mais densas e bem próximas ao eixo visual é mais difícil a recuperação funcional.A visão binocular é requerida o tempo todo e o incômodo da imagem negativa (floater) móvel, próxima ao eixo visual ou dentro dos 10º centrais do campo visual, pode ser extremamente desconfortável para não dizer incapacitante. Principalmente nos indivíduos que são portadores de “enjôo de movimento” ou cinetose em que paralelamente ao desconforto visual podem acontecer náusea, tonteira e sudorese fria, reproduzindo em parte os sintomas da disfunção vestibular periférica da qual são portadores.

Muitos pacientes perguntam aos médicos por que “do nada surgiram os sintomas”…? Difícil responder na medida em que todo e qualquer evento orgânico pode ser o “trigger”, o desencadeador da mudança na estrutura do corpo vítreo, além do próprio envelhecimento.

Bem, quatro meses antes do DPV tive um episódio de extrema fadiga, astenia e estado febril que me deixou prostrada por quatro dias. Não havia nenhum sinal característico de virose respiratória (espirros, coriza, tosse ou congestão nasal). No quinto dia amanheci muito bem disposta e então fui ao médico. Fiz raios X de tórax e exames de sangue. Diagnosticada uma pneumonia e com todos os marcadores hepáticos alterados indicando alteração hepática. Então a recomendação foi de mais uma semana de repouso.Depois disso eu já estava pronta para voltar à ativa.

Mas dois meses depois comecei a perceber flashes à noite. Eles foram aumentando em intensidade e três semanas depois, subitamente aconteceu o DPV. Em resumo, provavelmente o estado infeccioso (causou uma vitreite leve que acelerou a liquefação e desestruturação das fibras de colágeno do corpo vítreo.

A reorganização do colágeno forma fibrilas que tomam formas as mais diversas, soltas ou agrupadas, que se movem e flutuam dentro do globo ocular a cada movimentação dos olhos. Quando o vítreo se solta completamente das suas inserções o DPV é dito total. Mas na maior parte das vezes ele (DPV) é parcial e podem existir micro adesões à retina e/ou ao próprio disco óptico.

Quando alguns desses pontos (micro adesões) permanecem ligados à retina elas, além de serem responsáveis pelos “flashes” quando tracionam a retina durante o movimento dos olhos, se as fibrilas condensadas se mantém posicionadas bem próximas ao eixo visual, atrapalham a visão e podem incomodar muito o indivíduo.

Ao retinólogo cabe tratar a rotura retiniana (laserterapia), minimizando o risco de um descolamento de retina (e conseqüentemente evita uma baixa visual importante). Além disso, monitorizar  sistematicamente eventuais pontos de tração (percebidos como “flashes”). Isso é o que ele (retinólogo) pode fazer. E faz muito bem!.

Mas, e quando os sinais e sintomas visuais não desaparecem? E em relação às “moscas volantes” (no eixo visual ou para centrais) que dificultam a leitura, o uso do computador ou qualquer outra tela em ambiente iluminado? O estresse aumenta a percepção dos “floaters” e o incomodo visual aumenta a ansiedade e o estresse. Um círculo vicioso… O que pode ser feito enquanto as traves não se rompem e pelo efeito gravidade se depositam no segmento inferior do globo ocular e então passam a não interferir constantemente nas atividades diárias?

E de quanto tempo estamos falando aqui? Podem ser dias, meses… Cada caso é um caso.

A gente fala (para o paciente) e ouve do médico (enquanto paciente) que…vai passar…é uma questão de tempo…”  “Não se preocupe e aprenda a lidar com a usa nova realidade”. “Procure não se estressar, se for necessário use um ansiolítico e/ou procure um profissional (psicólogo ou psiquiatra) para ajudá-lo nesta etapa”

Essa é a orientação que a maioria de nós, médicos, dá ao seu paciente com DPV agudo com  sintomatologia intensa e incapacitante.

Mas a vida segue e a necessidade de retomar a rotina é iminente. O que mais pode nos ajudar nessa fase transitória (ainda bem! Ufa!) em que esperamos que a natureza aja e nos “cure”? Essa é uma espécie de fase de convalescença. O que fazer, quais as possibilidades?

Além do sintoma visual (“mosca volante”) e da irritabilidade e ansiedade que ele gera, nos indivíduos portadores de cinetose (“enjôo de movimento”), a situação pode levar a um componente sintomático extra: o enjôo (ou estado nauseoso), quando os olhos são submetidos a atividade motora  de movimentação excessiva como na leitura, com o vaivém dos olhos para acompanhar as linhas do texto. Assistir TV por duas ou três horas é totalmente diferente de alternar a visão de perto e a de longe a cada instante, pelo mesmo tempo de duas ou tres horas. Um exemplo é quem trabalha muito com a visão de perto, mas tem que interagir com outros indivíduos ao mesmo tempo. Ele olha para frente e para baixo, para perto e para longe ininterruptamente. Impossível nessa fase, a não ser que se mantenha ocluído o olho com floaters e o individuo tenha uma rápida adaptação à condição monocular. Para alguns isso é tão difícil de suportar quanto os floaters no eixo visual com alternância constante da visão perto/longe.

Esses mesmos indivíduos que costumam apresentar hiper-reatividade autonômica, muitas das vezes são portadores (também) de migranea (enxaqueca) podendo apresentar perfil ansioso e tendência à depressão e pânico. Tudo faz parte de um “pacote”, inato e evolutivo  (caso ele, indivíduo, não consiga modular esse tipo de comportamento ao longo da vida). Ou seja, se não aprende a conviver com suas “diferenças” em relação ao demais indivíduos. Afinal, cada um aprende a identificar “onde aperta o seu calo” e viver de forma a minimizar os inconvenientes do DNA que cada um traz consigo à vida.

Existem recursos ópticos (óculos ou lentes de contato) que podem ser de alguma (ou muita) ajuda nessa fase. Aqui novamente, cada caso é um caso. O diâmetro da pupila, a exata localização do “floater” que mais incomoda e em que direção do olhar ele parece estar anulado são dados importantes a serem levados em consideração para melhor ajudar o indivíduo a aliviar seus sintomas.

 

É interessante a ajuda sim, mas sabendo que é um recurso temporário e não significará conforto total. Pode ser de grande ajuda no sentido de criar uma situação que, se não é a ideal, pelo menos nos ajudará a nos mantermos ativos e mais confortáveis no dia a dia durante esta fase.

Tanto óculos como lentes de contato especiais podem gerar alguns inconvenientes que devem ser discutidos com o médico assistente e avaliados caso a caso. E podem ser de grande alívio em alguns momentos (não todos, infelizmente).

Resumindo, nesse momento em que já foi feito diagnostico e tratamento da lesão anatômica (pelo retinólogo), para alguns de nós será necessária ainda a intervenção de outros profissionais para a retomada de um dia a dia mais confortável. Oftalmologistas e óticos para a melhor solução ótica, otorrinos e/ou fisioterapeutas (reabilitação vestibular) para possível ajuda em relação a náusea  e/ou tonteira, psicólogos e/ou psiquiatras para ajudar a minimizar a ansiedade.

Alguns desses recursos podem ser de grande ajuda. E mesmo que apenas uns poucos tenham uma sintomatologia tão florida quanto a descrita acima e sintam extremo desconforto e dificuldade na reabilitação visual, é para esses poucos que fiz este relato. E espero sinceramente tê-los ajudado a entender e aprender a contornar alguns sinais e sintomas gerados pelo DPV, situação clínica tão comum a todos os indivíduos, mas que gera bem mais desconforto a alguns poucos.

Fale com o seu oftalmologista. Ele será seu parceiro nesta empreitada!

E não se esqueça que teve sorte, não descolou a retina e manteve a sua acuidade visual. Apenas terá um desconforto por um período de tempo variável. Lembre-se sempre que poderia ter sido bem pior! Não se queixe tanto… arregace as mangas e procure o melhor ajuste para conseguir administrar melhor esse período.

Você vai melhorar!

Conheça mais sobre sensações visuais incomuns…

Fotopsias, flashes, escotomas cintilantes e espectro de fortificação

 

Como o post mais visitado no blog continua sendo a respeito de moscas volantes, fotopsias e flashes,resolvi publicar a resposta a uma internauta que fez um comentario ilustrando bem o que sente e o que preocupa um individuo que passa a perceber alterações visuais incomuns.

Neste caso em especial provavelmente devido a alterações hormonais da gravidez. Espectro de fortificação ( ou aura) é o nome que se dá ao conjunto de sinais e sintomas visuais que podem anteceder uma crise de enxaqueca ou  que sinaliza a existencia de uma “migranea (enxaqueca) sem dor”…em que está presente apenas o fenomeno visual, informando a baixa oxigenação encefálica temporária, causada pela vasoconstricção caracteristica. Mais abaixo no texto ela mesma explica por que entende que os sintomas atuais não se devem à sua enxaqueca com aura…

 

Ela disse:

 

“Esses pontos brilhantes passaram a “estacionar” no canto do meu olho (próximo ao nariz) e formando um ponto grande e brilhante (acho que um escotoma cintilante, sei lá), fico muito nervosa quando acontece e saio do computador, vou caminhar, e esse negócio fica lá por uns 10 segundos, e depois que pisco, movimento e fecho os olhos esse troço some. Aconteceu umas três vezes nas ultimas semanas, apenas no olho esquerdo”.

 

Se tem aparecido apenas em um dos olhos, mais um motivo para retornar ao oftalmologista e refazer seus exames oftalmológicos!

 

“Já me disseram que esses pontinhos brilhantes na visão poderiam ser pressão alta, mas não acho que seja, pois passei a monitorar minha pressão e está sempre normal. Já me citaram até labirintite, o que pode ser também, pois vivia com tonturas antes da gravidez, e agora fica difícil saber se estou tonta porque tenho labirintite ou por causa da gravidez. Pretendo ir ao otorrino logo também”.

 

Alguns individuos que têm enxaqueca podem apresentar, desde crianças, sintomas relacionados ao equilíbrio. Como enjoar ou  ficar tonto ao tentar ler num carro em movimento. Ou se sentir mal ao andar de costas (contra o sentido do movimento do veiculo (numa van ou ônibus). A isso se dá o nome de “enjoo de movimento” ou cinetose ou “motion sickness”. Em determinadas ocasiões essa desordem do equilíbrio fica exacerbada.

 

“Isso que sinto está relacionado aos olhos ou é sintoma de algum outro problema?”

 

O oftalmologista só poderá  afastar causa oftalmológica para suas queixas após nova e criteriosa avaliação que incluirá (novo) mapeamento de retina e US (ultra-sonografia globos oculares), além de verificar se existe alguma alteração na acuidade visual, na visão de cores (teste Ishiara é o mais comum e simples). Um campo visual computadorizado poderia ser incluído.

Se nenhuma alteração for observada você  deverá ser encaminhada a um bom clinico geral e um neurologista. Desregulações vasculares podem ser responsáveis por alterações no sistema nervoso simpático e tonteiras e “alucinações visuais” transitórias podem fazer parte do quadro. Pergunte ao seu obstetra, clinico e/ou neurologista  se, como migranosa (enxaquecosa) que é,  estas alterações poderiam se intensificar (ou mudar a forma de apresentação) com a gravidez.

E calma, se for o caso, não sinalizam risco maior. Apenas você deve ser avaliada com maior freqüência.
“Tenho enxaqueca com aura, mas esses pontos não são da aura, eu acho, porque só enxergo tais pontos com os olhos abertos e um olho por vez, diferente da aura que enxergo as linhas brilhantes piscando com olhos abertos ou fechados e nos dois olhos. Além do mais, esses pontinhos brilhantes são passageiros, aparecem e somem de repente, já a minha crise de aura dura uns 20 minutos”.

 

Existem várias possibilidades para esses “pontinhos brilhantes”. Uma delas é a mudança de característica da migranea na gravidez (devido à alteração hormonal). São relatados vários tipos de enxaqueca na literatura e muitas formas da aura se manifestar. Os “escotomas cintilantes” citados podem estar presentes na hipertensão arterial,sim. Mas costumam se apresentar acompanhados de enjoo e/ou desconforto na nuca. Mas são descritos por este nome em alguns blogs referindo-se à uma das formas de apresentação da “aura”.

Ler na integra artigo sobre enxaqueca no link http://oftalmoneuro.blogspot.com/2007/06/enxaqueca.html (A aura pode se constituir de pontos claros ou escuros, ziguezagues, embaçamentos, imagens em ouebra-cabeças, escotomas cintilantes, visão em túnel, hemianopsias homônimas, hemianopsias altitudinais, ou um espectro em muralha).


Em resumo, se a causa não for oftalmológica, deve buscar a desregulação vascular como principal causa (seja ela devido à própria migranea,alterada pela gravidez,seja alteração do sistema nervoso autônomo secundário às condições da gravidez ou outras a serem avaliadas). Lembrar que em mulher jovem, tonteira ou sintomas do tipo “labirintite” podem  estar relacionados à tireóide.

 Nunca é demais lembrar que  é preciso uma avaliação do seu oftalmologista e de médicos referenciados por ele (neurologista e/ou otorrino) depois da avaliação e se for afastada causa oftalmológica para os sintomas.

As informações contidas neste blog não substituem avaliação médica que é sempre necessária e imprescindível!

O objetivo aqui é tão somente informar o individuo para que ele possa ser pró-ativo, conhecer  as formas de adoecimento,entender como se processam as alterações organicas e ajudar seu médico a tratá-lo.

A informação para leigo  é instrumento útil para orientá-lo e tentar esclarecer suas dúvidas. Tão somente!

Flashes e fotopsias. Eu tenho…então o que fazer?

 

As moscas volantes são queixas comuns de pacientes em consultorios oftalmologicos. O relato de flashes,fosfenos ou impressões visuais luminosas (clarões de luz,luzes piscando ou qualquer outra forma de referencia) é muito frequente também.
Na prática o que é preciso fazer é mapear a retina em busca de possiveis degenerações periféricas de risco para o descolamento de retina.Na ausência delas ou, se presentes, forem de baixo risco não há com o que se preocupar em relação aos olhos. Na ausência de outros sintomas convém fazer um mapeamento anual para monitorizar a retina e o DPV (descolamento posterior de vitreo) provavelmente associado.
Caso não existam sinais oftalmológicos que justifiquem a presença dessas alucinações visuais, um neurologista deve ser consultado. Não devemos esquecer também que alguns medicamentos apresentam como efeito colateral a presença de sensações luminosas percebidas a partir da utilização da droga.

Procure o seu oftalmologista!
Se a visão está normal e não há nenhum outro sinal ou sintoma oftalmológico (perda súbita ou transitória da visão, embaçamento transitório durante o exercício ou sauna), após um mapeamento de retina e uma ultra-sonografia de globos oculares negativos estará afastada a causa ocular.
Nesse caso você deve investigar os medicamentos que estão em uso e buscar um neurologista para conversar sobre os seus sintomas. Alterações vasculares encefálicas podem existir e devem ser afastadas como causa provável dos seus sintomas.
Mas calma!
Não pense em situações mais graves… deixe que o seu médico conduza a investigação. Na grande maioria das vezes não se encontra causa para esses sintomas. Então não se precipite.

 

Apenas faça a sua parte: procure o especialista!

Flashes,fosfenos,sensações visuais incomuns e medicamentos…uma relação mais que possível!

Flashes,fosfenos,sensações visuais incomuns e medicamentos …uma relação mais que possível!

Novos medicamentos surgem a todo momento.A velocidade da produção cientifica e a utilização na prática diária dos inúmeros novos medicamentos nas várias especialidades torna quase impossível ao médico estar cem por cento a par de efeitos colaterais destas novas drogas, a não ser que ela seja usada em sua prática diária, ou seja, na sua própria especialidade.

Como oftalmologista,ao fazer recentemente uma pesquisa em relação à droga trimetazidina (utilizada mais comumente em cardiologia),fui surpreendida com um efeito colateral ocular freqüente relacionado a esta droga.

Tem aumentado muito a busca por informação médica por parte do leigo. A internet oferece esta oportunidade e esta transferência de conhecimento tem tido um impacto positivo na relação médico-paciente,desde que bem estabelecida  e validado o recurso on line.

Neste blog publiquei alguns posts falando sobre uma queixa muito comum que são as impressões luminosas,quaisquer  que sejam as formas e nomes pelos quais as conheçamos: flashes e fosfenos (na nomenclatura médica) e  clarões ou raios luminosos ou diversas outras formas descritivas de alguma forma de percepção luminosa na ausência de focos luminosos que as justifiquem. Por isso as chamei de “impressões luminosas” .

Ocorre que a tal medicação (TRIMETADIZINA) exibe um percentual elevado de relato de fosfenos (como descrito na bula).É o efeito colateral mais comum (embora não seja o mais grave,claro).

Então fica aqui o alerta: esta é uma causa freqüente de aparecimento de flashes ou fosfenos sem que haja nenhuma alteração anatômica retiniana,nenhuma distrofia ou buraco que signifiquem risco para descolamento de retina (DR). Os flashes de origem retiniana são importantes sintomas que devem ser avaliados o quanto antes para reduzir o risco de DR através de tratamento precoce da causa. Ela é geralmente uma distrofia do tecido retiniano com presença de alguma pequena tração ou mesmo um orifício que devem ser monitorizados devidamente pelo oftalmologista para a prevenção do DR.

Mesmo os pacientes em uso desta droga (trimetadina), prescrita na maior parte das vezes como parte do arsenal terapêutico utilizado nas anginas (pectoris) e outras formas de isquemia dos tecidos (miocárdico,cerebral e outros) devem realizar um mapeamento de retina (MR)para afastar causa retiniana.

Apenas após um exame oftalmológico negativo poderemos considerar os sintomas como efeito colateral da droga. E caso após algum tempo de uso (em torno de 2 a 3 meses) o sintoma permaneça, o medico assistente deverá ser consultado a respeito do risco-beneficio de continuar a droga.Muitas das vezes o paciente deixa de perceber essas faíscas ao longo do tratamento.

Alucinações visuais ou sensações visuais anormais são relatadas como efeitos colaterais referidos por indivíduos em uso de um percentual elevado de drogas (mais de 50). Por isso a busca por informações relacionadas a este tipo de sintoma é muito grande.O post mais visitado no meu blog é o referente a essas alterações visuais.

Então para esclarecer: apesar de muito comum, essa queixa visual precisa ser avaliada do ponto de vista oftalmológico antes de ser pensada como de qualquer outra etiologia (causa), inclusive efeito colateral de medicação em uso.

Outras dúvidas a respeito consulte o conteúdo do blog  e os vários links  para instituições e serviços de conteúdo informativo em oftalmologia para leigos.

Mais sobre moscas volantes,fotopsias,flashes e fosfenos…

Como o post que tem gerado mais interesse (e comentarios a respeito de duvidas que ainda persistem) é o relacionado a mosca volante e fotopsia (ver os comentarios de outros leitores em “FIQUE DE OLHO:um alerta importantíssimo”, neste blog),seguem alguns esclarecimentos adicionais:

A definição de fotopsia: “sensação luminosa,como de faiscas ou relampagos provenientes de doença da retina” em http://www.verbetes.com. Mas,etimologicamente falando a combinação photos (luz) e opsis (visão) sugere a interpretação de visão de luzes,independente da causa do fenomeno.


Em medicina é consenso nos referirmos a um sintoma como fotopsia quando a causa dos “flashes” (brilho,faísca…ou outra definição) é oftalmológica (e vitreo-retiniana).

Caso  já tenhamos realizado mapeamentos de retina seriados (avaliação da retina periférica…e não apenas oftalmoscopia direta,como se faz no clássico “exame de fundo de olho”) e o(s) exame(s) não tenham evidenciado nenhuma degeneração de risco para descolamento de retina nem tração vitreo-retiniana ( com ou sem rotura ), então o sintoma pode ser definido como “fosfeno” ( veja abaixo definição bastante esclarecedora ).

As referencias a respeito de flashes, fotopsia e fosfenos são muitas vezes dúbias,dando margem a interpretações diferentes.O que importa na realidade é termos certeza de que o fenômeno luminoso não esteja relacionado à presença de rotura retinana, tração vítreo-retiniana e/ou degeneração de risco para descolamento de retina.Nessas situações devemos monitorar o paciente ,de forma sistemática,enquanto persistirem os sintomas!

O estresse,a tensão e a ansiedade aumentam (ou melhor,”aguçam “)nosso limiar perceptivo. Quantos de nós já nos demos conta de que quando estamos tensos ouvimos todos os barulhos no nosso entorno,tornando bastante desagradável conviver ,por exemplo, com  o barulho de uma simples gota d´agua caindo de uma torneira mal fechada ou ainda o som constante de alguem digitando (às vezes do outro lado da parede,em outro ambiente…mas que  ainda assim ouvimos  nitidamente…e como incomoda!)?

Então …esse mesmo estresse pode gerar aumento da percepção dos fosfenos do movimento ocular rápido (veja definição no link citado abaixo) e não significar risco.

Mas,antes de  afirmar que o que vem incomodando um paciente se deve unicamente  a fatores não oculares, o medico deve esgotar a investigação oftalmológica no sentido de afastar causas mais graves para os sintomas,ou melhor,causas que exijam intervenção precoce.

Espero ter ajudado!

Veja também:

http://www.willsglaucoma.org/portuguese/20060607.htm

O link  é interessante e esclarece mais a respeito de flashes,fotopsias e fosfenos (segue abaixo texto reproduzindo parte do arquivo que você pode acessar no endereço referido):

“Dr. Elliot Werner: Deixe-me começar dando a vocês uma definição de moscas volantes e flashes. Uma mosca volante é algo nos fluidos do olho que lança uma sombra na retina e se parece com uma mancha escura ou manchas que flutuam ao redor no campo de visão. Moscas volantes só podem ser vistas com os olhos abertos e em um ambiente iluminado.
Flashes podem ser vistos até mesmo na escuridão ou, às vezes, com os olhos fechados. Flashes são flashes de luz ou objetos iluminados que aparecem no campo de visão.

P: Um flash é algo com o que se preocupar?
Dr. Elliot Werner: Assim como com as moscas volantes, depende da causa. Um flash solitário sem qualquer perda de visão é raramente sério. Flashes persistentes, especialmente se houver alguma mudança na visão, são potencialmente sinais sérios de descolamento de retina.

P: Às vezes, quando eu fecho meus olhos, uma luz suave aparece lentamente e então desaparece em um padrão contínuo. Isso são flashes de luz?
Dr. Elliot Werner: Não, isso é na verdade uma resposta normal do sistema visual ao se fechar os olhos. Até mesmo em um ambiente completamente escuro, a retina produz impulsos nervosos que se parecem com luz. Flashes são exatamente isso: pontos luminosos ou raios de luz que parecem surgir e desaparecer rapidamente.
P: ‘Flash’ significa algo de curta duração. Qual é o nome para o similar, mas aparentemente permanente, brilho ou objetos brilhantes?
Dr. Elliot Werner: Fotopsia. [Nota da editora: “Fotopsia é a presença de flashes de luz visíveis. É mais comumente associada com descolamento vítreo posterior, enxaqueca com aura, aura de enxaqueca sem dor de cabeça e ruptura ou descolamento da retina.http://en.wikipedia.org/wiki/Help:Contents%5D

P: Eu passei por um período em que via flashes quando virava minha cabeça. Um especialista em retina disse que nada estava errado; era apenas porque o vítreo era muito espesso e estava puxando a retina quando eu virava minha cabeça de repente. Não aconteceu por muito tempo. Quão comum é o vítreo variar em viscosidade e é a razão conhecida?
Dr. Elliot Werner: O vítreo fica menos viscoso e mais fluido com a idade. O que você descreve é chamado fosfenos do movimento ocular rápido e é uma ocorrência normal. É o responsável por “ver estrelas” quando somos atingidos na cabeça”.

Leia tambem aqui neste blog o post “Floaters (moscas volantes) e depressão…qual qa relação provável?”  no link

https://elizabethnavarrete.com/2012/04/15/floaters-e-depressao-qual-a-relacao-provavel/

Outro link interessante:

http://www.ibc.gov.br (site Instituto Benjamin Constant)

Veja definições e orientações a respeito de flashes