qualidade de visão

A visão na catarata, na DMRI e no glaucoma…

 

No processo de envelhecimento, três situações de disfuncionalidade podem afetar nossa capacidade visual com maior freqüência: a catarata, a degeneração macular relacionada à idade e o glaucoma.

 

DIFICULDADE VER CATARATA

O cristalino é uma lente transparente que existe dentro do olho para aperfeiçoar a imagem, como os óculos, no caso dos indivíduos que precisam de correção para “melhorar” a imagem do que vêem. Na catarata esta lente se opacifica aos poucos e diminui a qualidade da visão.

 

VISÃO NA DMRI 2

Na degeneração macular relacionada à idade acontecem alterações bioquímicas e depois anatômicas e estruturais na área central da retina, que é a responsável pela visão de detalhes. A DMRI nos priva ou dificulta muitíssimo a leitura, a condução de um veículo ou o simples ato de ver televisão. A chamada visão central é a que define a imagem à nossa frente.

VISAO GLAUCOMA ESTAGIOS

Ao contrário, o glaucoma acomete a visão periférica e, com isso, cada vez mais vemos como através de um buraco que vai se estreitando. Normalmente, ao olharmos em frente, somos capazes de perceber objetos, coisas e pessoas que estão ao nosso lado, em todas as direções, sem que precisemos dirigir nossa atenção a elas. A chamada visão periférica vai se perdendo ao longo da doença glaucomatosa. Passamos a enxergar como se estivéssemos olhando através de um tubo, não percebendo o entorno. Em alguns casos, acaba acometendo também a visão central e leva à cegueira total.

 

Das três condições, a catarata é a única que é completamente reversível, com a cirurgia, quando ela estiver bem indicada. A DMRI ainda não tem tratamento eficiente, apenas tentamos manter pelo maior tempo possível a capacidade visual do paciente. Entretanto devemos, mais do que nunca, investir na prevenção. Quanto ao glaucoma, o tratamento pode manter o olho estável pelo tempo de vida do individuo. Mas é contínuo e “para sempre”. Mesmo que se opere, o que só é feito quando a medicação não é capaz de estabilizar a doença, o glaucoma continua evoluindo, embora mais lentamente. Todos os recursos são utilizados, tanto na DMRI quanto no glaucoma, para estabilizar a doença e retardar a perda visual central ou periférica, respectivamente.

 

Vamos investir mais na prevenção? Ainda é o melhor remédio!

 

Entendendo a visão

 

Falando sobre a visão,s atores principais são a retina, o nervo óptico e o córtex visual (cérebro). São responsáveis pela condução e processamento dos dados que se transformarão no que vemos. Como coadjuvantes temos a córnea e o cristalino. São estruturas transparentes com a função de “adequar” as informações que serão transmitidas ao cérebro como se fosse um “photoshop”, ou seja, elas “corrigem” dentro do possível, as aberrações e distorções para que o que vejamos, quando processada pelo cérebro, seja uma imagem nítida, mais próxima possível do objeto que lhe deu origem. Além deles, a lágrima, o humor aquoso e o vítreo, também transparentes, têm influencia, embora menor, na qualidade final da imagem.

A retina é a membrana (tecido) que “forra” internamente o olho. A informação do objeto que vemos é transmitida à retina através das camadas transparentes do olho. Como já vimos, elas são a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o corpo vítreo, na seqüência em que são atravessados pelos raios que formarão a imagem do objeto a ser identificado.

As fibras retinianas se juntam e formam o nervo óptico, que conduz a informação visual por um longo caminho, através das estruturas cerebrais até chegar ao córtex visual no lobo occipital, onde a imagem é processada e reconhecida. Em outras palavras, unimos o que vemos com a informação, já conhecida, a respeito daquela imagem, ou seja, ela é interpretada e passa a fazer sentido para nós. É o que nos conecta à experiência visual que temos do mundo em que vivemos.

Viu como é complexo o processo?

E uma etapa depende da outra para que tudo funcione a contento…

 

Iatrogenia ocular: causa e efeito, ação e reação!

Devemos sempre levar em consideração que, cada vez que o olho (ou qualquer outro órgão) é submetido à exploração cirúrgica ou procedimento invasivo, mesmo que seja para consertarmos algo que realmente necessita de reparo, esse procedimento implica necessàriamente em alguns riscos a curto, médio e longo prazo.


A medicina e suas formas terapêuticas, quaisquer que sejam elas, devem sempre ser pensadas desta forma: um recurso pontual imprescindível ao órgão doente, mas que sempre implica em um risco calculado que deve ser absorvido tanto pelo médico, ao escolher a melhor forma de atuar naquele momento, quanto pelo paciente. Este deve entender e conhecer as limitações do conhecimento científico quanto às projeções futuras, no longo prazo, assim como todas as alternativas disponíveis para cada situação de doença. E deve conversar com seu médico a respeito delas e de suas dúvidas, a cada momento.

A resposta do próprio organismo à “invasão” que sofre, seja de que etiologia (causa) for se dá quase sempre sob a forma inflamatória, ou seja, células encarregadas de combater agressores (sejam eles ambientais, microbianos ou agentes físico-químicos) se multiplicam e migram para o “local invadido”. Dependendo da resistência orgânica e da situação psiconeuroendócrina do indivíduo que sofreu a agressão, essa resposta resultará em maior ou menor dano secundário a esse organismo.

É por isso que quando nós extraímos um dente, por exemplo, ou somos submetidos a uma cirurgia, recebemos no pós-operatório alguma substancia anti-inflamatória, para evitar um dano maior devido à reação orgânica (normal e esperada).

Trocando em miúdos:

 

Temos que realizar procedimentos que são necessários, mas, ao mesmo tempo, temos que ter sempre em mente que devemos esperar reações às nossas ações e nos prepararmos para melhor agir nesses momentos e bem equilibrar essa equação (ação-reação).

A informação pontual recebida através do médico assistente traz tranqüilidade quanto ao que esperar a cada etapa de um tratamento. Uma rotina de exames é necessária para dar a melhor solução para cada dificuldade que surja. O acompanhamento contínuo durante esse período é decisivo, além da confiança baseada em uma sólida e bem estabelecida relação médico-paciente.

As dúvidas e apreensões dos pacientes são legítimas. Informar-se a respeito do que ocorre com seu organismo quando ele adoece é importante sim, até para ajudar melhor na recuperação. Porém, os indivíduos devem investir também, e cada vez mais, na relação com seu médico. Ambos têm a mesma expectativa: o retorno rápido ao estado de normalidade funcional e recuperação da saúde.

Muito interessante o tópico de autoria de um oftalmologista bastante conhecido no cenário nacional, Dr.Claudio Lottenberg. O texto ”Neuroadaptação: uma realidade que os pacientes devem conhecer” está disponível na internet. O conteúdo, na íntegra, você pode conferir no endereço www.lotteneyes.com.br/blog/page/2/

 

O site fornece “explicações sobre a qualidade de visão após procedimentos invasivos em oftalmologia, visando a restauração da visão”.

 

Um trecho:

            “Nossa preocupação destina-se a discussões acerca da córnea, do cristalino, da retina e pouco se fala de sua integração neurológica. Muito embora estas estruturas sejam vitais o sistema neural trabalha de forma integrada com os olhos e com suas diferentes estruturas intracerebrais e, comparativamente à estrutura de um computador com hardware e software, ainda de forma não totalmente compreendida pela comu- nidade científica”.

Por hardware pode-se entender as estruturas oculares e o software é o cérebro (sistema neuronal de integração de informações).

            E ele continua:

            “Assim, ao interferirmos na correção da miopia, por exemplo, ou então ao removermos uma catarata, ocorre uma modificação do sistema visual para a qual o cérebro humano deve adaptar-se. Pequenas modificações impõem adaptações menores e modificações maiores impõem adaptações também maiores do nosso cérebro. Assim fica patente que nem sempre a melhor tecnologia será facilmente adaptável e em muitas circunstancias nem sempre é fácil orientar nossos pacientes para que tenham a devida paciência neste processo, mesmo porque é imprevisível cercar todas as variáveis envolvidas. Infelizmente, embora seja uma minoria, alguns destes pacientes jamais se adaptarão.”

            “… o entendimento deste processo de neuroadaptação é fundamental para os pacientes que são submetidos à cirurgia refrativa e para cirurgia de catarata, pois estas criam modificações que, muitas vezes, requerem tempo para que o êxito seja perceptível por parte do paciente”.

Incluí este comentário para ratificar a necessidade da informação médica ser repassada ao paciente, sempre que for solicitada ou mesmo quando não o for. Imagine o desconforto (tanto do paciente quanto do médico) quando após uma cirurgia refrativa ou de catarata, a qualidade da visão está aquém do esperado (e desejado pelo paciente). O mesmo acontece em relação a outros procedimentos em oftalmologia. Ainda mais em se tratando de beneficio estético e não curativo!

A expectativa do paciente deve ser bem compreendida pelo profissional. Segurança e determinação de fazer o melhor devem ser transmitidas ao indivíduo. Mas nenhum dado deve ser omitido, sob pena de compreensão inadequada, por parte do paciente, de todo processo envolvido no ato médico, gerando problemas mais tarde.

O médico vivenciará uma situação desconfortável, mas o paciente conviverá daí em diante com o resultado ruim que identificará como erro médico. Muitas das vezes não existiu erro algum! Houve sim um resultado ruim, possível de acontecer, que foge ao controle do médico cirurgião e acontece em virtude de complicações cirúrgicas ad- vindas do próprio processo invasivo. Ou ainda, a cirurgia foi feita conforme o planeja- do, sem nenhuma intercorrência, a visão final obtida foi a melhor possível (20/20 ou se- ja 100%), mas qualitativamente ficou aquém da expectativa do indivíduo que se sub- meteu ao procedimento. A visão de contraste ou a estereopsia reduzidas ou ainda o in- cômodo ofuscamento induzido pelo procedimento são pouco tolerados por ele, a des- peito do benefício visual quantitativo. Então ele passará por um processo de adapta- ção e será bem sucedido (na maioria das vezes) ou não, como disse o Dr. Lottenberg.

Estar ciente de todos os possíveis danos ou desconfortos (temporários ou de caráter definitivo) passíveis de acontecer como efeito colateral de procedimentos aos quais será submetido é imperativo!

Mais do que isso, é um direito do paciente e um dever do médico.