visão

Comentando a NOIA-NA

 

Este post  fala sobre um assunto ultimamente muito presente nas ferramentas de busca da internet em relação à oftalmologia. Como um dos comentarios feitos neste blog conta um relato  a respeito de provavel NOIA-NA decidi reproduzir o conteudo aqui.

 

Um internauta comentou:

“Minha mãe está com uma baixa contínua de visão. Há aproximadamente seis meses ela ( 71 anos de idade) começou a sentir a visão ficar embaçada escura e sentir fotofobia. Os sintomas começaram lentamente, mas de forma progressiva. Marcamos então um oftalmologista que logo constatou uma pequena catarata, mas que não justificava tamanha baixa de visão não sendo necessário operar. Buscamos outros médicos para saber qual a opinião e encontramos um medico que nos incentivou a operar a catarata. A cirurgia foi realizada em julho deste ano. Mas, mesmo após a cirurgia os sintomas continuaram. Então voltamos no médico que realizou a cirurgia e ele nos pediu vários exames (curva tensional diária, retinografia, fundo de olho, campimetria). Com os resultados dentro do normal, fomos encaminhados  para um neuro que por sua vez nos pediu mais alguns exames (RM de crânio e órbita, sangue, RM Coluna Cervical) os resultados também dentro do normal. Como possível diagnostico o médico fala em seqüela de Neurite com Retinopatia Hipertensiva. Em 13/09/2011 exame apontou AVCC 20/40 agora 22/09/2011 aponta 20/50.Gostaria de saber que mais podemos fazer pois o problema progride e nenhum médico nos deu um diagnóstico definitivo ou um possível tratamento”.

 

Em resposta:

 

O relato clínico é reticente. Foi embaçamento súbito? Ao acordar? Queixava  de  escurecimentos transitórios da visão antes do episodio de embaçamento atual?   Faltam alguns dados.

Mas se o diagnostico de suposição é a neurite óptica, mais precisamente uma neurite óptica não arterítica (NOIA-NA), dados a respeito da visão de cores, das pupilas, da análise  seqüencial comparativa da campimetria visual (pelo menos dois exames consecutivos) também faltam…

Ela faz uso crônico de algum medicamento (p.ex. deflazacort, tamoxifeno,etambutol) que tem como possível efeito colateral a neurite óptica? Que doenças crônicas ela apresenta? Diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose ,hipotensão arterial noturna importante (observada no exame de monitorização arterial ambulatorial da pressão arterial – MAPA) , doença carotidea (obstrução fluxo em artérias carótidas e/ou vertebrais)?

Ela tem discos ópticos pequenos (“crowded”)? Em 30% dos casos (NOIA-NA) pode haver priora gradual da visão (mesmo) após o episodio agudo. Exames de proteina-C reativa e VHS elevados?

Um exame chamado potencial evocado visual (PEV)  evidencia possível doença do nervo óptico ao detectar defeito de condução da informação (fibras nervosas) até o cortex visual (occipital). Seria mais um dado positivo para a confirmação diagnóstica.

Uma vez confirmada a NOIA-NA deve ser feita a  prevenção do acidente no olho contra-lateral . E se há hipertensão arterial, deve-se monitorizar o tratamento (cardiologista e oftalmologista em conjunto)  para não  diminuir excessivamente a oxigenação do nervo óptico. A  hipotensão arterial noturna pode ser um  desencadeante da NOIA-NA.

O relato acima fala em seqüela de neurite e em retinopatia hipertensiva (o fundo de olho pálido poderia ser secundário à neurite). A falta de oxigenação do nervo óptico por interrupção ou redução importante do fluxo sanguíneos nas artérias que irrigam e nutrem o nervo costuma ser o mecanismo desencadeante da NOIA. As alterações vasculares  costumam afetar mais freqüentemente nervos ópticos muito pequenos, anatomicamente predispostos a esse tipo de acidente. Uma infecção crônica, alteração na forma das plaquetas, obstrução na carótida do mesmo lado do olho que apresentou a neurite são alguns dos fatores que podem ter desencadeado a doença.

O que eu poderia acrescentar ao que já foi dito é que: a neuropatia óptica isquêmica anterior (mais freqüente) ou posterior é evento que acomete indivíduos com doença microvascular ou no pós-operatório de doenças cardíacas ou de coluna vertebral.Pode ocorrer hipóxia (redução do fluxo sanguíneo) na hipotensão arterial severa, no choque (dengue hemorrágica) ou mesmo pós-viral. A apnéia do sono aumenta as chances do  episódio de sofrimento vascular.

O tratamento é ainda controverso; a doença apresenta uma evolução natural e na maioria das vezes melhora (e não piora) apos evento inicial. Em alguns casos, mas não é regra. Se existem alterações na forma ou tamanho das plaquetas (células sanguíneas) aumenta a dificuldade da “circulação” do sangue e essas alterações podem contribuir negativamente. Para evitar evento semelhante no outro olho costuma ser prescrito um anti-agregante plaquetario. A investigação sistêmica (clinica e não apenas oftalmológica) é imperativa para fazer a prevenção da doença no olho contra-lateral.

É importante daqui para a frente lembrar que o controle da doença microvascular  é essencial para que outros fenômenos isquêmicos (não apenas oftalmológicos) não ocorram. Removendo possíveis fatores predisponentes ou melhor, que possam contribuir para a falta de oxigenação, provavelmente a visão não piorará. Mas a neurite óptica isquêmica é a expressão aguda de um provável regime de hipóxia relativa (crônica) característica da doença microvascular.

O controle após o episodio agudo é feito com incentivo ao combate do sedentarismo, reavaliação dietética, melhor controle (medicamentoso) da doença hipertensiva com o cuidado de avaliar possível hipotensão arterial noturna importante (situação que diminui muito a irrigação do nervo óptico à noite).

Entendendo o que provavelmente aconteceu fica mais fácil para o individuo lidar com a perda funcional e buscar melhorar a situação clinica para evitar mais incidentes (oftalmológicos ou não).

 

A visão na catarata, na DMRI e no glaucoma…

 

No processo de envelhecimento, três situações de disfuncionalidade podem afetar nossa capacidade visual com maior freqüência: a catarata, a degeneração macular relacionada à idade e o glaucoma.

 

DIFICULDADE VER CATARATA

O cristalino é uma lente transparente que existe dentro do olho para aperfeiçoar a imagem, como os óculos, no caso dos indivíduos que precisam de correção para “melhorar” a imagem do que vêem. Na catarata esta lente se opacifica aos poucos e diminui a qualidade da visão.

 

VISÃO NA DMRI 2

Na degeneração macular relacionada à idade acontecem alterações bioquímicas e depois anatômicas e estruturais na área central da retina, que é a responsável pela visão de detalhes. A DMRI nos priva ou dificulta muitíssimo a leitura, a condução de um veículo ou o simples ato de ver televisão. A chamada visão central é a que define a imagem à nossa frente.

VISAO GLAUCOMA ESTAGIOS

Ao contrário, o glaucoma acomete a visão periférica e, com isso, cada vez mais vemos como através de um buraco que vai se estreitando. Normalmente, ao olharmos em frente, somos capazes de perceber objetos, coisas e pessoas que estão ao nosso lado, em todas as direções, sem que precisemos dirigir nossa atenção a elas. A chamada visão periférica vai se perdendo ao longo da doença glaucomatosa. Passamos a enxergar como se estivéssemos olhando através de um tubo, não percebendo o entorno. Em alguns casos, acaba acometendo também a visão central e leva à cegueira total.

 

Das três condições, a catarata é a única que é completamente reversível, com a cirurgia, quando ela estiver bem indicada. A DMRI ainda não tem tratamento eficiente, apenas tentamos manter pelo maior tempo possível a capacidade visual do paciente. Entretanto devemos, mais do que nunca, investir na prevenção. Quanto ao glaucoma, o tratamento pode manter o olho estável pelo tempo de vida do individuo. Mas é contínuo e “para sempre”. Mesmo que se opere, o que só é feito quando a medicação não é capaz de estabilizar a doença, o glaucoma continua evoluindo, embora mais lentamente. Todos os recursos são utilizados, tanto na DMRI quanto no glaucoma, para estabilizar a doença e retardar a perda visual central ou periférica, respectivamente.

 

Vamos investir mais na prevenção? Ainda é o melhor remédio!

 

Entendendo a visão

 

Falando sobre a visão,s atores principais são a retina, o nervo óptico e o córtex visual (cérebro). São responsáveis pela condução e processamento dos dados que se transformarão no que vemos. Como coadjuvantes temos a córnea e o cristalino. São estruturas transparentes com a função de “adequar” as informações que serão transmitidas ao cérebro como se fosse um “photoshop”, ou seja, elas “corrigem” dentro do possível, as aberrações e distorções para que o que vejamos, quando processada pelo cérebro, seja uma imagem nítida, mais próxima possível do objeto que lhe deu origem. Além deles, a lágrima, o humor aquoso e o vítreo, também transparentes, têm influencia, embora menor, na qualidade final da imagem.

A retina é a membrana (tecido) que “forra” internamente o olho. A informação do objeto que vemos é transmitida à retina através das camadas transparentes do olho. Como já vimos, elas são a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o corpo vítreo, na seqüência em que são atravessados pelos raios que formarão a imagem do objeto a ser identificado.

As fibras retinianas se juntam e formam o nervo óptico, que conduz a informação visual por um longo caminho, através das estruturas cerebrais até chegar ao córtex visual no lobo occipital, onde a imagem é processada e reconhecida. Em outras palavras, unimos o que vemos com a informação, já conhecida, a respeito daquela imagem, ou seja, ela é interpretada e passa a fazer sentido para nós. É o que nos conecta à experiência visual que temos do mundo em que vivemos.

Viu como é complexo o processo?

E uma etapa depende da outra para que tudo funcione a contento…

 

Como anda a sua visão?

Há alguns dias respondi a algumas perguntas a respeito do tema: Como anda sua visão?

Considerei bastante interessante a matéria e muito oportuno o questionamento a respeito de saúde e doença ocular. A informação voltada para o público leigo foi iniciativa da produção do programa  Espaço Feminino da TV Boas Novas.

Eis as perguntas e as respostas:
1- Que sinais apontam que a saúde dos olhos não está adequada?

Você conhece a frase “O corpo fala”?

É, inclusive,titulo de um livro.

Então, sinais de que a saúde dos olhos não vai bem podem ser desde uma dor de cabeça persistente e relacionada aos esforços visuais sem qualquer alteração na visão até a percepção da própria doença ocular através de vermelhidão, ardência, coceira (prurido), sensação de areia ou mesmo dor ocular. Sintoma importante também é a percepção súbita de manchas na visão, como as moscas volantes ou as “teias de aranha” que surgem quando o vítreo liquefaz e/ou se descola. Neste momento devemos buscar ime diatamente o oftalmologista para identificar possíveis degenerações de risco para DR (descolamento de retina) e fazer sua profilaxia.

Importante lembrar que todo sintoma novo, especialmente se agudo deve ser avaliado pelo médico. Por exemplo, a vermelhidão do olho pode ser uma conjuntivite viral (que é auto-limitada, mas ainda assim pode deixar algumas seqüelas que podem ser evitadas quando tratadas convenientetemente) ou outra doença mais importante que pode ser indicativa de problemas em outros órgãos e não apenas nos olhos.

O inverso é verdadeiro também. O exame oftalmológico rotineiro pode surpreender e antecipar um diagnóstico e mudar o desfecho da doença. Por exemplo, um papiledema,num caso neurológico ainda não sintomático. Uma hemorragia no nervo óptico num indivíduo com pressão intra-ocular normal e sem historia familiar de glaucoma. Uma alteração discreta de transparência cristaliniana (catarata incipiente) num jovem de vinte e poucos anos em uso crônico de medicação inalatória preventiva da asma com corticóide ou secundária a terapia de luz pulsada para remoção de mancha da pele. Ou ainda uma “mancha no campo visual”,perda campimétrica  de aparecimento súbito que pode ser o primeiro sintoma de um AVC.

2- Quais são as queixas mais comuns na visão causada pela modernidade ?


•Sem dúvida nenhuma a astenopia, ou  seja, o aparecimento   de ardência ocular, lacrimejamento, dores de cabeça, embaçamento visual  transitório, piora da visão de longe percebida ao final do dia, na hora de pegar o ônibus ou dirigir na volta para casa.O uso inadequado do aparelho visual nas atividades como fixar monitores por muitas horas, ou alternar a visão do papel para a tela por muito tempo. O uso de celulares, PDAs, que exigem mais da visão de perto, todas as novidades eletrônicas trouxeram agilidadade à comunicação mas não tivemos tempo de nos prepararmos para estas novas exigências diárias.

A musculatura ocular vem sendo cada vez mais exigida. E algumas vezes é preciso nos adequarmos a estas exigências. E nós o fazemos através da ergoftalmologia que nos diz como adequarmos a atividade visual ao nosso ambiente de trabalho para diminuir o desconforto. Dicas como a cada 40 ou 50 minutos olhando a tela do computador afastar os olhos em direção a alguma informação visual à longa distancia (olhar através de uma janela por exemplo). Ou lembrar de piscar com maior freqüência outro exemplo.

Caso não seja suficiente, a fisioterapia visual (ortóptica) está bem indicada e nos ajudará a aliar a qualidade ao conforto visual nas tarefas prolongadas em que a visão de perto está envolvida.

•Outra causa é a diminuição da qualidade da visão devido à prevalência da DMRI,que segundo a OMS e à catarata cada vez mais precoce.

•Também as queixas relacionadas à iatrogenia ocular devida a procedimentos médicos ,além da fotofobia relacionada às doenças oculares (ceratocone,  ceratites, uveites) como efeito colateral de alguns medicamentos, às endocrinopatias (hipertireoidismo), etc

3- Que cuidados e prevenção são necessários para a saúde dos olhos?


Em geral, num organismo equilibrado, a manutenção da saúde se faz através de uma dieta saudável e balanceada, exercícios físicos e uma boa higiene do sono. Ele, organismo foi concebido para manter a homeostasia, em condições normais, segundo as orientações já conhecidas. Quando nos afastamos destas necessidades básicas, ele faz o que pode, mas nem sempre consegue a longo prazo manter este equilíbrio e então surgem os sintomas das doenças. A partir daí o tratamento medicamentoso se faz necessário e os secundarismos deverão ser esperados a curto, médio ou longo prazo. As drogas aumentaram a longevidade, é indiscutível, mas a qualidade de vida não nos acompanhará por todo tempo a mais de vida que conquistamos.

Em relação aos olhos, bàsicamente a tríade catarata, glaucoma e degenera ção macular relacionada à idade são as doenças degenerativas oculares mais comuns na senilidade. A catarata é o cabelo branco do olho. Todos nós teremos! É uma opacificação, mudança de coloração e transparência da lente do olho (cristalino). Mas não significa que será preciso cirurgia em todos os casos. Depende da idade de aparecimento, do tipo de catarata, atividade do indivíduo e basicamente da avaliação do próprio em relação à sua qualidade de vida. Se ela atrapalha o seu dia a dia a catarata deve ser tratada cirùrgicamente. Ou ainda se ela produz secundarismos no olho (como aumento da pressão intra-ocular, p.ex.).

A indicação cirúrgica então deve ser  função do prejuizo à qualidade de vida do individuo e, portanto, depende da capacidade visual referida pelo próprio e não da simples aferição da acuidade visual no consultório do oftalmologista.

No glaucoma, a participação importante da doença vascular vem sendo cada vez mais avaliada e reconhecida. Portanto, a atenção maior e o controle efetivo dos fatores de risco para estas doenças  ( DAC, HAS, DM, apnéia do sono,aterosclerose) tornariam o glaucoma uma doença cada vez menos prevalente. Ou pelo menos o seu controle seria mais fácil e menor o risco de desfechos negativos.

Já na DMRI, o melhor controle da doença vascular, aliado ao aporte de nutrientes específicos (ricos em luteína e zeaxantina), redução do aporte de alimentos com alta carga glicêmica (pró-inflamatórios) e ao uso sistemático de óculos com excelente proteção contra a radiação UV são intervenções que se acredita possam reduzir bastante sua incidência ou mesmo retardar a sua evolução.

Ainda tem dúvidas? Deixe um comentário para que possa ser esclarecido.

A visão na senilidade…e a catarata

Mais uma vez, apesar de escrito há mais de dez anos,esse texto (também) é bastante atual…


EU JÁ NÃO ENXERGO COMO ENXERGAVA ANTES …mas todos dizem que tenho uma visão boa…

Costumamos quantificar a visão numericamente. A isso denominamos “acuidade visual”. Em outras palavras, acuidade visual é a capacidade que o olho tem de identificar objetos ou caracteres em condições ideais de iluminação e contraste.

O conhecimento de outros elementos que fazem parte da grande cadeia do sistema visual se torna importante para compreendermos porque diminui a qualidade da visão com o envelhecimento.

Um desses elementos é a sensibilidade ao contraste. Reconhecer objetos ou caracteres não é apenas uma questão de acuidade visual. Nossa retina e cérebro trabalham o tempo todo com o contraste. A acuidade visual, como nós a medimos na prática clínica, é uma medida da sensibilidade de contraste com máximo contraste.

Com o tempo existe uma perda variável, mas sempre presente, de contraste de alta e média freqüência, que pode ser explicada pela diminuição da luz que entra no olho (redução do tamanho da pupila com a idade) e/ou perda da elasticidade e modificação da coloração e densidade do cristalino.

A adaptação à luz também se altera, o que dificulta o dirigir à noite: o processo de recuperação do ofuscamento pelos faróis de carros em direção contrária (fotostress) é mais lento com o envelhecimento. Questiona-se a perda neuronal como fator coadjuvante, levando a um aumento do tempo de processamento das informações que seguem pela cadeia visual, alterando assim a qualidade da percepção visual.

Com o tempo, a coloração do cristalino muda (gradualmente fica mais amarelada) e em função disso o espectro azul da luz é absorvido, enquanto o amarelo e o vermelho passam livremente até a retina. Por conta disso, a percepção das cores pode mudar. O azul fica mais escuro, menos vívido e as cores “quentes” sobressaem. Ler ou enxergar etiquetas, caracteres ou objetos em tons pastéis e com letras de baixo contraste fica bem mais difícil.

Da mesma forma, a habilidade de discriminar objetos em movimento ou em seqüência rápida diminui com a idade e, novamente, dirigir requer discriminação visual de imagens e objetos em movimento, mais que estáticos. Por isso sentimos mais dificuldade em dirigir à noite quanto mais envelhecemos, sem que isso reflita apenas um deficit na acuidade visual numérica (estática).

Em resumo, a maioria de nós, quando envelhece, mantém boa visão em condições de boa iluminação e alto contraste. Porém, a visão aferida dessa forma não reflete o que nós vemos no nosso dia-a-dia, a qualidade da visão nas diferentes necessidades diárias como dirigir ao entardecer ou à noite, entrar e sair de um túnel, ver preços em etiquetas em supermercados “com luzes fluorescentes em excesso”, distinguir imagens, objetos ou pessoas em movimento rápido, etc….não tem o mesmo significado da visão 20/20 aferida segundo a tabela de Snellen,usada nos consultorios oftalmologicos.

Dois autores ingleses, Williams e Caird, autores de um livro bastante interessante sobre o olho e o envelhecimento (no qual se baseiam os conceitos contidos neste sumário) disseram que: “o mundo real raramente se apresenta para nós como letras pretas sobre tela branca numa sala escura“.

Numa alusão à forma como aferimos a visão de nossos pacientes, eles nos lembram da importância de uma avaliação global desse paciente, não esquecendo de que, na maioria das vezes, a orientação e o esclarecimento do significado do envelhecimento do sistema visual, suas implicações e formas de melhorar a qualidade da visão são suficientes para atender às queixas e tranqüilizar o paciente quanto as suas dificuldades.

Precisamos de uma boa iluminação, preferencialmente sempre luz incandescente (“quente”) à luz fluorescente (“fria”). Testar vários tipos de lâmpadas e bulbos até achar a combinação ideal que proporcione alto contraste, ler, costurar, pintar ou fazer qualquer trabalho que exija mais da visão de detalhes, sempre com iluminação focal e não apenas com luz difusa.

Uma observação interessante é aquela em que o paciente volta à consulta dizendo: “deve haver alguma coisa errada com meus óculos novos! No dia do exame, quando testamos as lentes, eu vi tão melhor com as lentes que estavam no seu aparelho!!!”. A diferença é que no consultório, o teste da visão de perto é realizado com um foco de luz direcionado para a tabela de leitura . E que luz! E isso faz toda a diferença…


Nós somos preparados durante toda a vida para o envelhecimento; as adaptações fazem parte desse processo. Saber se adaptar e utilizar os recursos à nossa disposição para aumentar a qualidade de vida nesse período é fundamental. Mas, talvez, mais importante que isso é preparar-se para envelhecer. Assim como a prevenção é sempre mais eficaz que o tratamento da doença, o modo de viver (mental e fisicamente sadio) é uma garantia de um envelhecimento saudável e prazeroso.


Nota: A respeito da melhor iluminação a ser usada no dia a dia,o conceito tem mudado.Quem tiver interesse a esse respeito pode consultar os links abaixo sobre ergoftalmologia que falam sobre como potencializar a visão e reduzir o desconforto visual com a utilização de normas especificas estabelecidas para otimizar as tarefas do dia a dia.

“Manual de Ergoftalmologia” http://www.schaefer.com.br/pub/publicacoes/manual_ergoftalmologia.pdf

http://www.scribd.com/doc/18502288/10-Dr-Herbert-Stern-Ergo-Oftalmologia-como-Mecanismo

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A questão a ser discutida exaustivamente é:

A relação custo/beneficio em relação à cirurgia de catarata (facectomia) , momento ideal de fazer a indicação formal do procedimento cirurgico e a observação cuidadosa e individual (cada caso é um caso)!

Apesar do que foi discutido acima…em relação à perda da qualidade visual por conta da redução da sensibilidade ao contraste…devemos ter em mente que quanto mais longevos ficamos,mais tempo conviveremos com o desfecho de curto,medio e longo prazo das intervenções médicas.

Por conta disso devemos ser cautelosos nas indicações dessas intervenções e discutir exaustivamente com o paciente ponderando a respeito das opções em cada caso. Ouvir mais (e com maior interesse) suas queixas e propor soluções pontuais para elas.

Intervir cirurgicamente sempre que for necessario…mas não deixar de oferecer ao individuo a oportunidade de conhecer o cenário completo em que está inserida esta decisão (o que esperar a curto,medio e longo prazo e como tentar minimizar as possiveis intercorrencias).


O individuo esclarecido é um aliado do medico na prevenção dessas intercorrencias e na tentativa de restabelecimento da sua qualidade de visão e de vida! E não o contrario,como pensam alguns…medicos e pacientes.

A visão,os olhos …e os computadores

Apesar de mais de ter sido escrito há mais de 10 anos,esse texto nunca esteve tão atual…


MICROCOMPUTADOR E OLHO – UMA RELAÇÃO SADIA?

http://www.velhosamigos.com.br/Colaboradores/Diversos/beth1.html

O cansaço visual pode estar associado ao uso prolongado do computador. Sintomas como vermelhidão, irritação, coceira, olhos ressecados ou lacrimejamento. Ou ainda sensibilidade exagerada à luz, sensação de peso nas pálpebras, fadiga ocular e dificuldades em focalizar o monitor (“perda temporária do zoom”). Todas essas queixas podem estar relacionadas ao uso inadequado do computador.

Algumas alterações do sistema visual de pouca ou nenhuma importância em outras situações do dia-a-dia podem causar esses sintomas quando se executa tarefas visuais que “exigem mais”, como ter que focalizar imagens em monitores (que são compostos de “pixels”, minúsculos pontos que o olho não consegue ver com nitidez, tendo para isso que “acomodar” – focar e refocar – utilizando a musculatura ocular).

Outra conseqüência freqüente é a “dor de cabeça”, que nós médicos chamamos de cefaléia.

Quer diminuir esse desconforto todo quando precisar usar o computador por muitas horas seguidas?

  • A sala deve ser bem iluminada mas, evite o ofuscamento (iluminação focal sobre os olhos não, direcionada ao objeto da leitura sim).
  • Se você lê documentos enquanto digita, deixe-os próximos à tela, em pranchetas ou suportes próprios, ao lado do monitor (diminua o trabalho dos seus olhos e cabeça).
  • Mantenha o monitor a uns 50 a 60cm distante de seus olhos e ligeiramente abaixo deles, no máximo na mesma altura (você conhece alguém que lê em frente rotineiramente e com facilidade? Com certeza não). Durante a leitura prolongada nós utilizamos os músculos que deslocam os olhos para baixo. Essa musculatura já está acostumada! Sempre lemos em cima da mesa ou “no colo”. Os músculos responsáveis pelo olhar mantido em frente passaram a trabalhar mais quando surgiu o computador. Tudo mudou… e as queixas aumentaram!
  • Diminua os reflexos da tela (se preciso use um filtro anti-reflexo).
  • Descanse de vez em quando: 15 minutos a cada 2 horas de trabalho ou pelo menos 5 minutos a cada 50 ou 60 minutos  (ou pelo menos descanse seus olhos). Fechando os olhos você não está relaxando e sim mantendo os olhos na posição de trabalho, contraídos.
    É necessário olhar para o horizonte e fixar num objeto/ponto que tenha que ser focado,que exija um relaxamento dos músculos para ser “enxergado com nitidez” (em outras palavras,tentando fixar um ponto para “dar um descanso”, relaxar os olhos!)
  • Mas tudo isso não será o bastante se você não estiver usando a correção ótica adequada à sua situação de trabalho, seja você míope, hipermétrope, astigmata ou présbita (“vista cansada da idade”).

Quanto a lentes especiais, seu uso frente a sistemas de raios catódicos como a televisão e o monitor de vídeo colorido teria por objetivo diminuir o trabalho da pupila (que regula a entrada de luz) e com isso uma das causas de cansaço visual.

Leia mais sobre ergoftalmologia nos endereços abaixo:

http://www.scribd.com/doc/18502288/10-Dr-Herbert-Stern-Ergo-Oftalmologia-como-Mecanismo

http://www.difundir.com.br/mobile/c_mostra_release_mobile.php?emp=1960&num_release=16306&ori=T

“Manual de Ergoftalmologia”

http://www.schaefer.com.br/pub/publicacoes/manual_ergoftalmologia.pdf


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Algumas outras considerações:

Costumo explicar dessa forma aos pacientes o porquê do incomodo do uso do computador:

Você já experimentou manter os olhos na direção do teto por alguns minutos? Serão bem poucos minutos,com certeza…lembra quando a gente esta trocando uma lâmpada de uma luminária no alto de uma escada e tem alguma dificuldade em retira-la do bocal? Os braços continuam estendidos para cima,mas o olhar é desviado para o chão,na tentativa de “descansar o olhar”…porque dói manter os olhos fixando o teto,não é mesmo?

Assim,imagine que os olhos foram “desenhados” para se adaptar funcionalmente às exigências do contexto de vida de cada um…mas quando elas mudam…os olhos levam um tempo para se adaptarem à nova situação…enquanto isso,alguns sintomas nos lembram que mudamos nossa forma de nos relacionarmos com o mundo externo (computador p.ex.).

Na mirada principal (como chamamos em oftalmologia o “olhar para frente”)…antes estavamos acostumados apenas a fixar pontos de menor exigência visual …porque envolviam enxergar a distancias maiores (dirigir,ver TV,etc). Com o advento do computador passamos mais tempo utilizando os músculos responsáveis pelo alinhamento dos olhos e pelo foco (leia-se nitidez da imagem) a uma distancia diferente da habitual.

Em outras palavras… vamos,para efeito didático,separar a direção do olhar em três posições:

O olhar para baixo,ao qual estamos acostumados desde sempre, uma vez que desde pequenos usamos os olhos para baixo ao lermos, escrevermos,comermos,e antes disso, para desenharmos, brincarmos de dominó ou ainda jogar xadrez.Então os músculos responsáveis pela visão ao olharmos para baixo,sempre foram muito usados e “são malhados”,”fortes”,toleram muito bem horas de esforço…como na leitura prolongada…

O olhar para cima (como ao trocar uma lâmpada no teto),é pouco exigido em nosso dia a dia e portanto os músculos envolvidos nessa tarefa são pouco trabalhados e bastante débeis,não tolerando por muito tempo esforço maior.

O olhar em frente, com a modificação de nossos hábitos,tem sido mais exigido a uma distancia antes não habitual (como ficar varias horas em frente à uma tela de computador).Esses músculos então tiveram que ser mais usados e dependendo do momento de vida de cada individuo,cada um de nós leva um tempo maior ou menor para se adaptar às novas exigências.

Algumas vezes há necessidade de ajuda para melhor administrarmos essa tarefa. É ai que passamos a necessitar de um profissional do qual muitas vezes nunca ouvimos (injustamente) falar: o ortoptista!

Ele é uma espécie de fisioterapeuta de olhos! Ele ajuda a reequilibrar a musculatura e a visão binocular (responsável pela qualidade da tarefa discriminativa visual).

Voce sabia que para vermos com a qualidade que estamos (ou deveríamos estar) habituados muitos musculos e interações neuronais são postos em funcionamento e dessa sincronia depende o bem estar ao executarmos essas tarefas?

Voce sabia que ao utilizarmos cada vez mais e mais cedo,a tecnologia de que dispomos hoje (computadores,celulares,palmtops,netboooks,etc) estamos cada vez mais antecipando sintomas decorrentes dessa falta de competência sensorio-motora.Hoje muitas crianças são levadas ao oftalmologistas com queixa de dor de cabeça,lacrimejamento,ardência nos olhos,etc.

Se ao sermos introduzidos a essa tecnologia toda fossemos previamente preparados e instruídos em relação à “utilização do aparelho visual”,teríamos o beneficio de melhor desempenho com menor desconforto e estaríamos assim absorvendo essa tecnologia,de forma mais saudável.

Esse  “treinamento previo” também é muito oportuno quando as exigências mudam…como por exemplo em épocas de muito trabalho visual discriminativo no período do vestibular, prepação para concursos,teses de mestrado/doutorado,inclusive mudanças no perfil de trabalho (do trabalho apenas com papel para tarefas cada vez mais longas utilizando monitores,p.ex.).

Leia mais sobre ortóptica e como ela pode nos ajudar no dia a dia nos links abaixo:

http://a-vision-4-all.blogspot.com/2009/11/avaliacao-ortoptica.html

http://www.cbort.com.br/artigos/artigos004.html

http://ortoptica-baixavisao.blogspot.com/2008/09/os-olhos-rgos-responsveis-pela-viso.html

http://www.mundovestibular.com.br/articles/6219/1/Ortoptista—Uma-otima-carreira/Paacutegina1.html