deficiencia visual

Estamos cada vez mais míopes?

A miopia pode ser evitada ou lentificada em sua evolução?

 

A incidência da miopia vem aumentando no mundo todo e pode ser uma resposta fisiológica (natural) do olho às exigências do mundo atual, cada vez mais tecnológico.

 

A evolução dela também!

 

Visão embaçada para longe…queixa cada vez mais freqüente do míope nos consultórios muitas vezes antes do usual intervalo de um ano entre consultas. O uso freqüente e contínuo do computador (além de celulares, ipads e outros equipamentos que a tecnologia desenvolveu para nosso beneficio e praticidade) faz com que a distancia focal de perto seja muito mais solicitada que antes. A leitura prolongada aumenta a necessidade (e o esforço) de acomodação e pode promover o alongamento do olho da criança, tornando-a mais míope. No adulto, o “aumento” da miopia ou a sensação de piora da visão de longe (principalmente à noite, após um dia inteiro de trabalho) é fruto da acomodação do olho à distancia que é solicitada mais intensamente – a de perto.

Como conseqüência, para dirigir ou ver o numero do ônibus à noite fica mais difícil, com certeza! Mas será que devemos aumentar sempre o grau dos óculos frente a esta exigência? Isso alteraria o ritmo (e freqüência) de ajustes de grau que deverão ser feitos no futuro?

Provavelmente sim.

Uma alternativa viável? Usar os óculos anteriores (“mais fracos”) no trabalho e deixar  a nova prescrição (“mais forte”) para quando sair do trabalho, quando a exigência  de longe for maior e a prescrição se mostrar insuficiente (por causa do esforço acomodativo contínuo nas terafas do dia a dia).

 

Uma estratégia que deve ser tentada:  a cada uma hora de trabalho fazer alternância do foco, mantendo o olhar dirigido a um ponto bem longe da mesa de trabalho (qualquer imagem que necessite mais detalhamento do que simplesmente observar uma nuvem no céu…). Desta forma já estaremos ajudando a diminuir a queixa visual proveniente do uso excessivo da tarefa discriminativa visual para perto (leitura no papel e na tela), exigência da vida moderna.

 

Outra estratégia é aumentar a atividade física ao ar livre (quando relaxamos a acomodação e deixamos de potencializar o aumento da miopia).

 

Uma outra constatação é que a criança que pouco brinca ao ar livre tem menos oportunidade de relaxar a acomodação (contração da musculatura ocular – musculo ciliar- necessária à visão nitida para perto).  Essa seria uma das causas do aumento dos casos de miopia em idade cada vez mais precoce e justificaria a maior incidência em meninas, que participam menos de atividades coletivas ao ar livre.

Outro aspecto citado na literatura disponível a respeito é o fator nicotina. Grávidas fumantes gerariam com mais freqüência filhos míopes do que as mães não fumantes.

Glaucoma: algumas dúvidas comuns…

Algumas dúvidas comuns…

“Tenho 51anos faço uso do maleato de timolol 0,5% (2 vezes ao dia ) e o Lumigan 0,01% a noite”. Se você usa duas drogas para controlar a sua doença glaucomatosa, seu médico deve tê-las prescrito porque apenas monoterapia (uma única droga) não foi suficiente para manter sua PIO alvo. Quer dizer, a sua pressão com uma droga estava acima daquela estimada pelo médico como ideal por ser capaz de impedir uma descompensação funcional (perda campimétrica) no médio ou longo prazo.

“Venho tendo flashes no canto do olho direito; de vez em quando somem depois aparecem. Eu assisti a uma matéria falando sobre esses clarões que podem ocasionar descolamento de retina.” Os clarões ou raios de luz de causa oftalmológica significam tração vítreo-retiniana e com isso risco de surgirem pequenas roturas e possível evolução para o descolamento de retina. Mas às vezes, mesmo nas roturas tratadas com laser eles podem levar um tempo para sumir por completo. Por isso a necessidade de mapeamentos de retina seqüenciais para monitorização da tração até que ela desapareça e com ela o risco de um DR. E nem toda tração levará à rotura e conseqüentemente ao DR. O que não se discute é a necessidade de seguimento até que desapareçam os sintomas.

“Mas quem tem glaucoma pode levar a ter descolamento de retina?” Entendo que você se refere à possibilidade do glaucoma desencadear o DR, não é? Nos glaucomas secundários, complicados e que são bem mais raros, até pode haver esta evolução, mas quando falamos em glaucoma, a não ser que citemos especificamente os glaucomas causados por infecção, inflamação, hemorragias intra-oculares e/ou outras causas, estamos (nós médicos) nos referindo ao glaucoma crônico simples que significa sofrimento do nervo óptico e não há nenhuma relação com a retina periférica. Então a resposta à sua pergunta é não. Mas qualquer pessoa, portadora de glaucoma ou ao pode ter um DR. E não que ele glaucoma seja a causa. O DPV e os flashes acontecem a qualquer um de nós.

“Tenho até dificuldades para comprar meus colírios…”   Você já ouviu falar de um programa do governo que fornece gratuitamente medicamentos oculares de alto custo? Seguem abaixo as etapas a serem seguidas para obter os medicamentos nas farmácias do SUS. Tanto faz se a sua receita foi fornecida por médico da rede pública ou privada. Esta informação foi obtida numa comunidade do ORKUT (“eu tenho glaucoma vejam.com.br”). Vale a pena ser verificada!

Etapas para a solicitação de colírios de alto custo:

1 – Obter o cartão do SUS
2 – Obter o formulário de medicamentos (de alto custo)mna farmácia do INSS mais próxima através do site  http://www010.dataprev.gov.br/enderecoAPS/mps1.asp&quot

3 – Ir ao seu oftalmologista com o formulário, pedir que ele preencha os campos específicos, carimbe e assine o mesmo
4 – Obter o receituário médico, em duas vias, com detalhamento do medicamento (nome da substancia base) e quantidade que a ser usada a cada 30 dias. O formulário deve ser carimbado e assinado pelo médico e esse carimbo deve conter nome, CPF e CRM;
5 – No formulário, na parte de cima, o próprio individuo pode preencher os seus dados pessoais
6 – Ir até a farmácia do INSS, levando consigo toda a documentação acima, além do seu RG, CPF e comprovante de residência.
Cada receita emitida é válida para três meses. Após esse prazo, tanto uma nova receita deve ser obtida com o seu oftalmologista quanto um novo formulário deverá ser preenchido!

Localize a agência da Previdência mais próxima de você através do link: http://www010.dataprev.gov.br/enderecoAPS/mps1.asp

O link para página da comunidade do ORKUT “eu tenho glaucoma vejam.com.br”  em que esta informação foi obtida é:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=3540200&tid=5585867322266146091&na=3&npn=3&nid=3540200-5585867322266146091-5636153757111771821

“Se eu tenho a minha visão periférica o que eu tenho seria mesmo o glaucoma ou poderia ser só hipertensão ocular?” A doença glaucomatosa é crônica e a ausência de defeito campimétrico não significa que ela não esteja presente. É necessária uma perda em torno de 20 a 30% de fibras nervosas para que se identifiquem defeitos de CV (na perimetria branco-branco); os defeitos costumam ser mais precoces na perimetria  azul-amarelo (SWAP) ou no FDT. Mas como você já deve saber (mas é sempre bom lembrar), no diagnóstico de glaucoma vários fatores devem ser levados em consideração, não apenas a pressão intra-ocular e/ou o campo visual. E nem sempre é diagnóstico fácil e rápido.

“Numa falta de dinheiro para comprar o Lumigan eu posso ficar um mês sem usá-lo? Seria muito prejudicial à minha visão?”  Nunca modifique a medicação prescrita pelo seu médico. Siga sempre a orientação fornecida por ele! Seria temerário responder que um mês sem o colírio pode não significar evolução do quadro ou que poderia haver piora rápida do glaucoma! Vale lembrar que uma vez que o diagnóstico de glaucoma foi confirmado, a evolução da doença é de caráter muito individual.

Depende também de outros fatores envolvidos como presença de doenças sistêmicas (hipertensão arterial, diabetes, enxaqueca, hipotensão arterial importante etc.) e mesmo outras doenças oculares concomitantes. E lembre-se que o glaucoma é uma doença potencialmente grave.

Ele, glaucoma, é uma das principais causas de cegueira evitável…quando bem conduzidos seu diagnóstico e tratamento.

Moscas volantes…alguns nem percebem, outros não conseguem conviver!

Tão incômodo quanto o extremo desconforto visual é a convivência diária com outros de nós que não podem avaliar o que nunca sentiram ou viram.

Qualquer um entende e consegue avaliar a angústia daquele que tem uma fratura exposta ou um ferimento que sangra ou está com muita febre. Essas são situações que todos já vimos ou sentimos de perto. Não é algo subjetivo.

Você é capaz de ler num carro em movimento? Consegue viajar olhando as paisagens que mudam rapidamente ou mesmo viajar sentado em direção contrária ao movimento da composição do trem ou do metrô? Não tem enjôo em viagens de barco ou navio de pequeno porte? Então você não sabe do que eu estou falando. Esse texto não acrescentará nada a você e não será uma leitura interessante, talvez.

Não é incomum indivíduos que têm enjôo de movimento (“cinetose”) ouvirem desde crianças que são “enjoados, chatos, sensíveis demais ou pessoas “fracas””. É comum e até compreensível: só conseguimos entender ou sentir empatia em relação àquilo que já experimentamos. Por isso nos agrupamos de forma a reunir iguais a nós. Formamos “turmas”, pertencemos a “tribos”: yuppies, nerds, punks, patricinhas/mauricinhos,etc. Também por isso existem os “grupos de ajuda”, na maioria das vezes criados por portadores, parentes e/ou cuidadores de indivíduos com uma determinada doença ou disfunção.

“Se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele” é voz corrente e sábio ditado. Conhecer em profundidade o que nos aflige (seja desconforto físico ou emocional) nos ajuda a conviver com. Ignorá-lo é quase sempre impossível!

No caso das “moscas volantes”, me refiro aqui aos 5% dos indivíduos em que os “floaters” se tornam um problema tão importante (porque constante e de difícil solução) que merece ser analisado mais de perto. Em geral são pessoas portadoras de disfunção vestibular periférica inata. Nesses indivíduos a náusea, tonteira e sudorese fria podem acompanhar muitas vezes a tentativa de manter os dois olhos abertos em presença de “floaters” densos próximos ao eixo visual.

Em alguns momentos do dia ou em determinadas atividades discriminativas visuais, artifícios óticos e visuais podem ser de grande auxilio como na leitura, no uso do computador ou mesmo ao assistir TV. Em alguns dias a gente percebe um avanço na tolerância a essa nova realidade visual. Em outros há um retrocesso e nos sentimos bem pior. É um processo…mais lento ou mais rápido.No final das contas depende de cada um de nós.

O que acontece é que chegam ao córtex (cérebro) imagens diferentes enviadas por cada olho (uma com as moscas volantes e outra sem elas). Para um perfeito equilíbrio e ausência total de desconforto seria necessário que as imagens fossem iguais. Ou o mais próximo possível disso. Isso explica por que muitos têm desconforto ao assistir filmes com tecnologia tridimensional (disparidade de imagens para dar sentido de mais uma dimensão), utilizando óculos 3D. Eles referem náuseas, dores de cabeça, tonteira, sensação de cabeça “oca” ou “zonza”. Possivelmente são portadores de alguma disfunção vestibular (inata ou adquirida). Os mesmos filmes vistos através de óculos 2D que eliminam os efeitos em 3D, eliminam também (não por acaso) os sintomas desagradáveis desses indivíduos.

A imagem chega ao córtex para ser processada junto com informações proprioceptivas (ouvido, labirinto, pele) fornecidas por nossos outros sentidos (tato e audição, p.ex.) e imprimir sensação de equilíbrio ao corpo.

No caso das moscas volantes, enquanto não houver adaptação vestibular (labirinto) a essa nova realidade visual os sintomas podem estar presentes. Em maior ou menor intensidade. E é uma questão de tempo… Está na dependência ainda do tamanho da(s) imagem(ens) negativas agregadas  ao campo visual, assim como da proximidade dos “floaters” em relação ao eixo visual e da higidez vestibular de cada individuo.

Ao fator anatomo-funcional agrega-se ainda o fator psicológico. E é aqui eu me pergunto: “o que veio primeiro, o ovo ou a galinha”?

A ansiedade costuma ser característica presente em portadores de cinetose. Seria o “descompasso” do SNA (sistema nervoso autônomo) existente nesses mesmos indivíduos, o fator etiológico comum à ansiedade e aos sintomas do “enjôo de movimento”? Assim como uma irritabilidade excessiva pode estar presente nas fases iniciais da demência (Alzheimer), possivelmente pelo desarranjo seguido de uma reorganização atípica de algumas reações químicas envolvendo neurotransmissores,a plasticidade funcional neuronal (nesse caso positiva)seria responsável pela adaptação à nova realidade visual. Esta adaptação se traduziria na usência de sintomas em vigência de compensação funcional (o organismo vence mais uma vez!).

Mas, o que fazer enquanto isso?

Dois a cinco por cento dos indivíduos têm eventos neuro-vegetativos desencadeados pelo padrão inato de resposta vestibular aos estímulos visuais comuns (vistos pelos dois olhos), quando em movimento (nesse caso o desequilíbrio). Se além disso uma imagem nova, densa, próxima ao eixo visual e apenas percebida por um dos olhos se soma a esta já difícil equação, maior será a dificuldade deste individuo em se manter equilibrado (tanto no aspecto oftalmológico quanto físico e psicológico).

Mãos geladas, suor frio,náuseas, tonteiras, sensação de cabeça “oca ou vazia” e grande irritabilidade são sintomas que temos que aprender a tolerar (inicialmente) e aos poucos evitar.

Algo pode ser feito…mas o tempo continua sendo o melhor remédio. E no processo de ajuste, controlar a ansiedade e afastar-se (na medida do possível) das tarefas discriminativas visuais (leitura, uso de computador, ver TV em sala iluminada, p.ex. e/ou as que exijam alternância constante entre as distancias de longe e perto – pela maior movimentação dos “floaters” dentro dos olhos).

Sabemos que a vida não vai parar para que nos adaptemos à nova situação e depois possamos voltar ao ponto em que estávamos.Trabalho, vida social, família,a dinâmica da vida continua. E nós temos que nos inserir de alguma forma nela mesmo sendo angustiante em muitos momentos. A palavra de ordem é adaptação. E toda ajuda de que pudermos dispor é benvinda.

Óculos com oclusão total de uma das lentes (oclusor de silicone com ventosa), óculos com oclusão seletiva de uma das lentes (parte da lente recebe um película- fita isolante preta ou outro material que vede completamente a luz-  na parte da lente com a qual visualizamos a maior parte do tempo o floater que nos incomoda (mais à direita do centro,mais à esquerda, ou acima,etc).

Outra opção é usar o artifício de desenhar na lente imagens similares aos floaters para “iludir” o cérebro e minimizar o incomodo. Quando ele(s) se movimentar(em) (que é quando fica mais difícil de ser(em) tolerado(s), outras fibrilas desenhadas nas lentes reduzirão a percepção do movimento deles.

Existem muitas variações possíveis (do ponto de vista ótico) em relação a como minimizar a sensação de desconforto visual e vestibular. Nenhuma delas corresponde por si só a alternativa única a ser utilizada em cada caso.  Segundo observação durante as experimentações que fiz, a alternância entre os artifícios óticos, de acordo com a tarefa visual, foi a melhor forma de ter maior conforto no período inicial, logo após o episodio agudo de DPV.

Experimentei todas. Algumas me deram alivio em determinados momentos…em outros não. Existiram (e existirão ainda) dias melhores e dias piores. Nenhuma das medidas terapêuticas é eficiente o tempo todo nem satisfaz plenamente. São medidas paliativas, enquanto a natureza (organismo) tenta fazer o reparo da melhor forma possível.

A vitrectomia é um procedimento invasivo que parece bastante atrativo e “salvador”, à primeira vista. Ela eliminaria completamente as moscas volantes: a aspiração dos floaters removeria a causa dos fenômenos entópticos e devolveria a normalidade visual ao individuo. Fácil assim?

Existem riscos e benefícios… Afinal, é como tudo funciona, não é mesmo?

Não existe apenas bem ou mal. É tudo um pacote, um “combo”. O que prevalecerá ao longo do tempo ninguém sabe. A emenda será pior do que o soneto? Não saberemos se não experimentarmos, dirão uns e outros… Hoje eu ainda não quero pagar para ver.

Pode ser que com mais tempo de incomodo me exaspere e acabe me submetendo à vitrectomia a despeito dos possíveis efeitos colaterais. Quando (e se) o fizer será apenas após ter dado tempo suficiente ao organismo (e à homeostasia) para desenvolverem uma possibilidade de reequilíbrio visual.

Existe tempo para tudo. Nascer, crescer, adolescer, ficar adulto, dar origem a outra vida e assim por diante. Sempre podemos de alguma forma alterar a ordem das coisas, claro, mas em relação aos mecanismos naturais de manutenção da saúde e prevenção das doenças, tudo tem seu tempo certo e a ordem dos fatores pode alterar sim o produto final.

Por mais atraente que nos pareça o rápido retorno à “normalidade”, sempre haverá um preço a ser pago. E talvez não estejamos preparados para uma eventual situação bem pior do que a original. Em outras palavras, “a emenda pode sair pior do que o soneto”, no longo prazo.

Do ponto de vista da binocularidade e do conforto visual voltei a engatinhar. Espero estar correndo logo, logo!

Essa reflexão a respeito dos floaters se deveu à necessidade de dividir com outros uma experiência pessoal recente. Espero que lhes seja de alguma ajuda!

Moscas volantes…como lidar com elas?

Ainda sobre moscas volantes…

A quem interessar possa esse é um relato pessoal a respeito da necessidade de lidar com o desconfortável sintoma das “moscas volantes”, logo após o DPV (descolamento posterior de vítreo) agudo.

Como não tenho nenhuma lesão retiniana (degeneração periférica de risco para descolamento de retina) que possa justificar a rotura retiniana que deu inicio aos meus sintomas creio que a seqüência abaixo descreve melhor a sucessão de eventos que levaram ao meu DPV agudo (com hemorragia vítrea secundária à rotura retiniana).

Devido a um acidente de carro (aos 18 anos) tenho DPV total assintomático (98% do tempo) no olho direito. Como já tenho 59 anos não é incomum a liquefação vítrea. Nesse caso o rearranjo do gel em fibrilas pode ser resultar em grumos mais ou menos densos que acabam vez por outra atravessando o eixo visual e incomodando transitoriamente a visão. Isso se dá de forma lenta e gradual e na maioria das vezes o indivíduo só percebe os “floaters” quando presta atenção e busca ativamente por eles ou quando está muito ansioso e/ou tenso.

Em casos de DPV agudo em que se formam condensações mais densas e bem próximas ao eixo visual é mais difícil a recuperação funcional.A visão binocular é requerida o tempo todo e o incômodo da imagem negativa (floater) móvel, próxima ao eixo visual ou dentro dos 10º centrais do campo visual, pode ser extremamente desconfortável para não dizer incapacitante. Principalmente nos indivíduos que são portadores de “enjôo de movimento” ou cinetose em que paralelamente ao desconforto visual podem acontecer náusea, tonteira e sudorese fria, reproduzindo em parte os sintomas da disfunção vestibular periférica da qual são portadores.

Muitos pacientes perguntam aos médicos por que “do nada surgiram os sintomas”…? Difícil responder na medida em que todo e qualquer evento orgânico pode ser o “trigger”, o desencadeador da mudança na estrutura do corpo vítreo, além do próprio envelhecimento.

Bem, quatro meses antes do DPV tive um episódio de extrema fadiga, astenia e estado febril que me deixou prostrada por quatro dias. Não havia nenhum sinal característico de virose respiratória (espirros, coriza, tosse ou congestão nasal). No quinto dia amanheci muito bem disposta e então fui ao médico. Fiz raios X de tórax e exames de sangue. Diagnosticada uma pneumonia e com todos os marcadores hepáticos alterados indicando alteração hepática. Então a recomendação foi de mais uma semana de repouso.Depois disso eu já estava pronta para voltar à ativa.

Mas dois meses depois comecei a perceber flashes à noite. Eles foram aumentando em intensidade e três semanas depois, subitamente aconteceu o DPV. Em resumo, provavelmente o estado infeccioso (causou uma vitreite leve que acelerou a liquefação e desestruturação das fibras de colágeno do corpo vítreo.

A reorganização do colágeno forma fibrilas que tomam formas as mais diversas, soltas ou agrupadas, que se movem e flutuam dentro do globo ocular a cada movimentação dos olhos. Quando o vítreo se solta completamente das suas inserções o DPV é dito total. Mas na maior parte das vezes ele (DPV) é parcial e podem existir micro adesões à retina e/ou ao próprio disco óptico.

Quando alguns desses pontos (micro adesões) permanecem ligados à retina elas, além de serem responsáveis pelos “flashes” quando tracionam a retina durante o movimento dos olhos, se as fibrilas condensadas se mantém posicionadas bem próximas ao eixo visual, atrapalham a visão e podem incomodar muito o indivíduo.

Ao retinólogo cabe tratar a rotura retiniana (laserterapia), minimizando o risco de um descolamento de retina (e conseqüentemente evita uma baixa visual importante). Além disso, monitorizar  sistematicamente eventuais pontos de tração (percebidos como “flashes”). Isso é o que ele (retinólogo) pode fazer. E faz muito bem!.

Mas, e quando os sinais e sintomas visuais não desaparecem? E em relação às “moscas volantes” (no eixo visual ou para centrais) que dificultam a leitura, o uso do computador ou qualquer outra tela em ambiente iluminado? O estresse aumenta a percepção dos “floaters” e o incomodo visual aumenta a ansiedade e o estresse. Um círculo vicioso… O que pode ser feito enquanto as traves não se rompem e pelo efeito gravidade se depositam no segmento inferior do globo ocular e então passam a não interferir constantemente nas atividades diárias?

E de quanto tempo estamos falando aqui? Podem ser dias, meses… Cada caso é um caso.

A gente fala (para o paciente) e ouve do médico (enquanto paciente) que…vai passar…é uma questão de tempo…”  “Não se preocupe e aprenda a lidar com a usa nova realidade”. “Procure não se estressar, se for necessário use um ansiolítico e/ou procure um profissional (psicólogo ou psiquiatra) para ajudá-lo nesta etapa”

Essa é a orientação que a maioria de nós, médicos, dá ao seu paciente com DPV agudo com  sintomatologia intensa e incapacitante.

Mas a vida segue e a necessidade de retomar a rotina é iminente. O que mais pode nos ajudar nessa fase transitória (ainda bem! Ufa!) em que esperamos que a natureza aja e nos “cure”? Essa é uma espécie de fase de convalescença. O que fazer, quais as possibilidades?

Além do sintoma visual (“mosca volante”) e da irritabilidade e ansiedade que ele gera, nos indivíduos portadores de cinetose (“enjôo de movimento”), a situação pode levar a um componente sintomático extra: o enjôo (ou estado nauseoso), quando os olhos são submetidos a atividade motora  de movimentação excessiva como na leitura, com o vaivém dos olhos para acompanhar as linhas do texto. Assistir TV por duas ou três horas é totalmente diferente de alternar a visão de perto e a de longe a cada instante, pelo mesmo tempo de duas ou tres horas. Um exemplo é quem trabalha muito com a visão de perto, mas tem que interagir com outros indivíduos ao mesmo tempo. Ele olha para frente e para baixo, para perto e para longe ininterruptamente. Impossível nessa fase, a não ser que se mantenha ocluído o olho com floaters e o individuo tenha uma rápida adaptação à condição monocular. Para alguns isso é tão difícil de suportar quanto os floaters no eixo visual com alternância constante da visão perto/longe.

Esses mesmos indivíduos que costumam apresentar hiper-reatividade autonômica, muitas das vezes são portadores (também) de migranea (enxaqueca) podendo apresentar perfil ansioso e tendência à depressão e pânico. Tudo faz parte de um “pacote”, inato e evolutivo  (caso ele, indivíduo, não consiga modular esse tipo de comportamento ao longo da vida). Ou seja, se não aprende a conviver com suas “diferenças” em relação ao demais indivíduos. Afinal, cada um aprende a identificar “onde aperta o seu calo” e viver de forma a minimizar os inconvenientes do DNA que cada um traz consigo à vida.

Existem recursos ópticos (óculos ou lentes de contato) que podem ser de alguma (ou muita) ajuda nessa fase. Aqui novamente, cada caso é um caso. O diâmetro da pupila, a exata localização do “floater” que mais incomoda e em que direção do olhar ele parece estar anulado são dados importantes a serem levados em consideração para melhor ajudar o indivíduo a aliviar seus sintomas.

 

É interessante a ajuda sim, mas sabendo que é um recurso temporário e não significará conforto total. Pode ser de grande ajuda no sentido de criar uma situação que, se não é a ideal, pelo menos nos ajudará a nos mantermos ativos e mais confortáveis no dia a dia durante esta fase.

Tanto óculos como lentes de contato especiais podem gerar alguns inconvenientes que devem ser discutidos com o médico assistente e avaliados caso a caso. E podem ser de grande alívio em alguns momentos (não todos, infelizmente).

Resumindo, nesse momento em que já foi feito diagnostico e tratamento da lesão anatômica (pelo retinólogo), para alguns de nós será necessária ainda a intervenção de outros profissionais para a retomada de um dia a dia mais confortável. Oftalmologistas e óticos para a melhor solução ótica, otorrinos e/ou fisioterapeutas (reabilitação vestibular) para possível ajuda em relação a náusea  e/ou tonteira, psicólogos e/ou psiquiatras para ajudar a minimizar a ansiedade.

Alguns desses recursos podem ser de grande ajuda. E mesmo que apenas uns poucos tenham uma sintomatologia tão florida quanto a descrita acima e sintam extremo desconforto e dificuldade na reabilitação visual, é para esses poucos que fiz este relato. E espero sinceramente tê-los ajudado a entender e aprender a contornar alguns sinais e sintomas gerados pelo DPV, situação clínica tão comum a todos os indivíduos, mas que gera bem mais desconforto a alguns poucos.

Fale com o seu oftalmologista. Ele será seu parceiro nesta empreitada!

E não se esqueça que teve sorte, não descolou a retina e manteve a sua acuidade visual. Apenas terá um desconforto por um período de tempo variável. Lembre-se sempre que poderia ter sido bem pior! Não se queixe tanto… arregace as mangas e procure o melhor ajuste para conseguir administrar melhor esse período.

Você vai melhorar!

Comentando a NOIA-NA

 

Este post  fala sobre um assunto ultimamente muito presente nas ferramentas de busca da internet em relação à oftalmologia. Como um dos comentarios feitos neste blog conta um relato  a respeito de provavel NOIA-NA decidi reproduzir o conteudo aqui.

 

Um internauta comentou:

“Minha mãe está com uma baixa contínua de visão. Há aproximadamente seis meses ela ( 71 anos de idade) começou a sentir a visão ficar embaçada escura e sentir fotofobia. Os sintomas começaram lentamente, mas de forma progressiva. Marcamos então um oftalmologista que logo constatou uma pequena catarata, mas que não justificava tamanha baixa de visão não sendo necessário operar. Buscamos outros médicos para saber qual a opinião e encontramos um medico que nos incentivou a operar a catarata. A cirurgia foi realizada em julho deste ano. Mas, mesmo após a cirurgia os sintomas continuaram. Então voltamos no médico que realizou a cirurgia e ele nos pediu vários exames (curva tensional diária, retinografia, fundo de olho, campimetria). Com os resultados dentro do normal, fomos encaminhados  para um neuro que por sua vez nos pediu mais alguns exames (RM de crânio e órbita, sangue, RM Coluna Cervical) os resultados também dentro do normal. Como possível diagnostico o médico fala em seqüela de Neurite com Retinopatia Hipertensiva. Em 13/09/2011 exame apontou AVCC 20/40 agora 22/09/2011 aponta 20/50.Gostaria de saber que mais podemos fazer pois o problema progride e nenhum médico nos deu um diagnóstico definitivo ou um possível tratamento”.

 

Em resposta:

 

O relato clínico é reticente. Foi embaçamento súbito? Ao acordar? Queixava  de  escurecimentos transitórios da visão antes do episodio de embaçamento atual?   Faltam alguns dados.

Mas se o diagnostico de suposição é a neurite óptica, mais precisamente uma neurite óptica não arterítica (NOIA-NA), dados a respeito da visão de cores, das pupilas, da análise  seqüencial comparativa da campimetria visual (pelo menos dois exames consecutivos) também faltam…

Ela faz uso crônico de algum medicamento (p.ex. deflazacort, tamoxifeno,etambutol) que tem como possível efeito colateral a neurite óptica? Que doenças crônicas ela apresenta? Diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose ,hipotensão arterial noturna importante (observada no exame de monitorização arterial ambulatorial da pressão arterial – MAPA) , doença carotidea (obstrução fluxo em artérias carótidas e/ou vertebrais)?

Ela tem discos ópticos pequenos (“crowded”)? Em 30% dos casos (NOIA-NA) pode haver priora gradual da visão (mesmo) após o episodio agudo. Exames de proteina-C reativa e VHS elevados?

Um exame chamado potencial evocado visual (PEV)  evidencia possível doença do nervo óptico ao detectar defeito de condução da informação (fibras nervosas) até o cortex visual (occipital). Seria mais um dado positivo para a confirmação diagnóstica.

Uma vez confirmada a NOIA-NA deve ser feita a  prevenção do acidente no olho contra-lateral . E se há hipertensão arterial, deve-se monitorizar o tratamento (cardiologista e oftalmologista em conjunto)  para não  diminuir excessivamente a oxigenação do nervo óptico. A  hipotensão arterial noturna pode ser um  desencadeante da NOIA-NA.

O relato acima fala em seqüela de neurite e em retinopatia hipertensiva (o fundo de olho pálido poderia ser secundário à neurite). A falta de oxigenação do nervo óptico por interrupção ou redução importante do fluxo sanguíneos nas artérias que irrigam e nutrem o nervo costuma ser o mecanismo desencadeante da NOIA. As alterações vasculares  costumam afetar mais freqüentemente nervos ópticos muito pequenos, anatomicamente predispostos a esse tipo de acidente. Uma infecção crônica, alteração na forma das plaquetas, obstrução na carótida do mesmo lado do olho que apresentou a neurite são alguns dos fatores que podem ter desencadeado a doença.

O que eu poderia acrescentar ao que já foi dito é que: a neuropatia óptica isquêmica anterior (mais freqüente) ou posterior é evento que acomete indivíduos com doença microvascular ou no pós-operatório de doenças cardíacas ou de coluna vertebral.Pode ocorrer hipóxia (redução do fluxo sanguíneo) na hipotensão arterial severa, no choque (dengue hemorrágica) ou mesmo pós-viral. A apnéia do sono aumenta as chances do  episódio de sofrimento vascular.

O tratamento é ainda controverso; a doença apresenta uma evolução natural e na maioria das vezes melhora (e não piora) apos evento inicial. Em alguns casos, mas não é regra. Se existem alterações na forma ou tamanho das plaquetas (células sanguíneas) aumenta a dificuldade da “circulação” do sangue e essas alterações podem contribuir negativamente. Para evitar evento semelhante no outro olho costuma ser prescrito um anti-agregante plaquetario. A investigação sistêmica (clinica e não apenas oftalmológica) é imperativa para fazer a prevenção da doença no olho contra-lateral.

É importante daqui para a frente lembrar que o controle da doença microvascular  é essencial para que outros fenômenos isquêmicos (não apenas oftalmológicos) não ocorram. Removendo possíveis fatores predisponentes ou melhor, que possam contribuir para a falta de oxigenação, provavelmente a visão não piorará. Mas a neurite óptica isquêmica é a expressão aguda de um provável regime de hipóxia relativa (crônica) característica da doença microvascular.

O controle após o episodio agudo é feito com incentivo ao combate do sedentarismo, reavaliação dietética, melhor controle (medicamentoso) da doença hipertensiva com o cuidado de avaliar possível hipotensão arterial noturna importante (situação que diminui muito a irrigação do nervo óptico à noite).

Entendendo o que provavelmente aconteceu fica mais fácil para o individuo lidar com a perda funcional e buscar melhorar a situação clinica para evitar mais incidentes (oftalmológicos ou não).

 

Flashes e fotopsias. Eu tenho…então o que fazer?

 

As moscas volantes são queixas comuns de pacientes em consultorios oftalmologicos. O relato de flashes,fosfenos ou impressões visuais luminosas (clarões de luz,luzes piscando ou qualquer outra forma de referencia) é muito frequente também.
Na prática o que é preciso fazer é mapear a retina em busca de possiveis degenerações periféricas de risco para o descolamento de retina.Na ausência delas ou, se presentes, forem de baixo risco não há com o que se preocupar em relação aos olhos. Na ausência de outros sintomas convém fazer um mapeamento anual para monitorizar a retina e o DPV (descolamento posterior de vitreo) provavelmente associado.
Caso não existam sinais oftalmológicos que justifiquem a presença dessas alucinações visuais, um neurologista deve ser consultado. Não devemos esquecer também que alguns medicamentos apresentam como efeito colateral a presença de sensações luminosas percebidas a partir da utilização da droga.

Procure o seu oftalmologista!
Se a visão está normal e não há nenhum outro sinal ou sintoma oftalmológico (perda súbita ou transitória da visão, embaçamento transitório durante o exercício ou sauna), após um mapeamento de retina e uma ultra-sonografia de globos oculares negativos estará afastada a causa ocular.
Nesse caso você deve investigar os medicamentos que estão em uso e buscar um neurologista para conversar sobre os seus sintomas. Alterações vasculares encefálicas podem existir e devem ser afastadas como causa provável dos seus sintomas.
Mas calma!
Não pense em situações mais graves… deixe que o seu médico conduza a investigação. Na grande maioria das vezes não se encontra causa para esses sintomas. Então não se precipite.

 

Apenas faça a sua parte: procure o especialista!

Você está cuidando bem do seu glaucoma?

O glaucoma é uma doença em que o nervo óptico deixa de ser oxigenado devidamente. Com isso, as fibras nervosas que levam a informação visual para o cerebro vão desaparecendo ao longo do tempo. Essas fibras estão reunidas no nervo óptico e podemos visualizar essa perda gradual atraves do exame da papila ou disco óptico.
Pela observação direta ou indireta (fundo do olho ou retinografia), pelos exames de imagem (GDX, HRT ou OCT) ou pela perda funcional refletida no exame de  campo visual.

Então, se a hipóxia (diminuição da oxigenação) é a causa, as doenças que afetam a microcirculação como hipertensão arterial, diabetes, enxaqueca, hipotensão arterial severa,aterosclerose e apnéia do sono são fatores de risco para desenvolvimento da doença glaucomatosa.

Quer saber mais? Acesse https://elizabethnavarrete.com/2010/02/15/glaucoma-e-doenca-vascularqual-a-relacao/
Então o que podemos fazer é melhorar a nossa micro circulação. Como fazemos isso?

Eliminando o sedentarismo. Fazendo exercícios aeróbicos quatro a seis vezes na semana, por exemplo, andando rápido, 4 a 5 km durante 40 a 50 minutos, na freqüência cardíaca submáxima avaliada no seu teste de esforço.  Melhor que isso… procure um profissional de educação física e busque essa informação diretamente com ele, personalizando o seu condicionamento físico.
Mas em geral esse é o protocolo.
Além disso, claro, corrigir a dieta de acordo com a sua doença e mantê-la sob rígido controle, seja ela qual for!
E não se esqueça… pingar colírios, fazer laser ou operar o glaucoma (aspecto oftalmológico) e tomar remédio e controlar a doença tanto no aspecto laboratorial  quanto de resultado de exames complementares (aspecto cardiovascular) não basta!

Isso não assegura saúde microvascular. Apenas indica que o que pode ser feito em relação a essas estratégias está sendo feito. Nada mais!

Faça a sua parte!

O exercício é a única intervenção capaz de modular o endotélio vascular e retardar ou limitar as alterações que podem levar a curto, médio ou longo prazo a desfechos negativos tanto cardiovasculares quanto oftalmológicos.

A visão na catarata, na DMRI e no glaucoma…

 

No processo de envelhecimento, três situações de disfuncionalidade podem afetar nossa capacidade visual com maior freqüência: a catarata, a degeneração macular relacionada à idade e o glaucoma.

 

DIFICULDADE VER CATARATA

O cristalino é uma lente transparente que existe dentro do olho para aperfeiçoar a imagem, como os óculos, no caso dos indivíduos que precisam de correção para “melhorar” a imagem do que vêem. Na catarata esta lente se opacifica aos poucos e diminui a qualidade da visão.

 

VISÃO NA DMRI 2

Na degeneração macular relacionada à idade acontecem alterações bioquímicas e depois anatômicas e estruturais na área central da retina, que é a responsável pela visão de detalhes. A DMRI nos priva ou dificulta muitíssimo a leitura, a condução de um veículo ou o simples ato de ver televisão. A chamada visão central é a que define a imagem à nossa frente.

VISAO GLAUCOMA ESTAGIOS

Ao contrário, o glaucoma acomete a visão periférica e, com isso, cada vez mais vemos como através de um buraco que vai se estreitando. Normalmente, ao olharmos em frente, somos capazes de perceber objetos, coisas e pessoas que estão ao nosso lado, em todas as direções, sem que precisemos dirigir nossa atenção a elas. A chamada visão periférica vai se perdendo ao longo da doença glaucomatosa. Passamos a enxergar como se estivéssemos olhando através de um tubo, não percebendo o entorno. Em alguns casos, acaba acometendo também a visão central e leva à cegueira total.

 

Das três condições, a catarata é a única que é completamente reversível, com a cirurgia, quando ela estiver bem indicada. A DMRI ainda não tem tratamento eficiente, apenas tentamos manter pelo maior tempo possível a capacidade visual do paciente. Entretanto devemos, mais do que nunca, investir na prevenção. Quanto ao glaucoma, o tratamento pode manter o olho estável pelo tempo de vida do individuo. Mas é contínuo e “para sempre”. Mesmo que se opere, o que só é feito quando a medicação não é capaz de estabilizar a doença, o glaucoma continua evoluindo, embora mais lentamente. Todos os recursos são utilizados, tanto na DMRI quanto no glaucoma, para estabilizar a doença e retardar a perda visual central ou periférica, respectivamente.

 

Vamos investir mais na prevenção? Ainda é o melhor remédio!

 

Óculos, por que e quando devemos usar?

Gostaria de comentar sobre a necessidade do uso dos óculos. Em linhas gerais, o míope é corrigido desde cedo pela incapacidade de compensar sua dificuldade sozinho. O hipermetrope é corrigido em criança quando o grau é alto, dificultando a qualidade e conforto visuais. Ou ainda quando apesar de ver muito bem o jovem apresenta queixas de dor de cabeça ou dificuldade na manutenção da atenção nas tarefas que exigem mais esforço acomodativo. Ou ainda (e principalmente) quando a criança é estrábica, ou seja, apresenta desvio dos olhos. Este desvio pode ser manifesto, percebido por todos ou ser diagnosticado apenas pelo profissional de saúde, durante exame oftalmológico.

O astigmatismo, se pequeno pode não “atrapalhar” a visão, mas se for causa de dor nos olhos, dor de cabeça ou outras queixas relacionadas com o  esforço visual deve ser corrigido.

Você sabia que de cem pessoas submetidas à avaliação em um aparelho que “mede o grau do olho” (auto-refrator) talvez menos de 5% seja emétrope? Lembre que emétrope significa não ter erro refracional nenhum (zero). Esta condição é praticamente inexistente se levarmos em consideração qualquer mínimo valor de ametropia (grau).

Então se fossemos prescrever óculos baseados apenas no valor encontrado na mensuração do “defeito” do olho, quase todos nós usaríamos óculos desde jovens. Mal comparando, é como chamar uma criança de anã porque ela não tem altura e proporcionalidade de um adulto. Ela apenas está em desenvolvimento, ainda.

Da mesma forma, o olho está se desenvolvendo e devemos deixar o organismo se encarregar dos ajustes necessários e intervir apenas quando realmente for preciso.

Cada caso é um caso e em todos eles, devem ser muito bem avaliadas as variáveis antes de determinarmos uma correção óptica. O “grau do olho” não é algo que necessariamente deva ser corrigido “sob pena de causar danos futuramente”, como se dizia antigamente. Mas é necessário nas crianças estrábicas ou amblíopes. É mais do que indicado, é imprescindível o uso de correção nestes casos sob pena de não conseguirmos recuperar tanto a visão de cada olho, individualmente, quanto a visão binocular, ou seja o trabalho conjunto e coordenado dos dois olhos, possibilitando por exemplo a visão de profundidade. Esta “qualidade” da visão, que nós chamamos de estereopsia, só é possível com a binocularidade.

A supervisão constante do desenvolvimento da criança determinará o momento certo de intervir. Exceto nas estrábicas e amblíopes, como já foi dito, que quanto mais cedo forem corrigidas melhor o resultado final. Por isso a avaliação oftalmológica é imprescindível durante o período de desenvolvimento pleno da capacidade funcional do olho no jovem. O consenso a respeito deste prazo era até os oito anos e hoje se estende até os dez anos de idade.

“Usar óculos para corrigir o grau” é uma expressão antiga e errada. Os óculos (ou as lentes de contato) são utilizados para devolver ao individuo a visão plena e o conforto visual, com ausência de sintomas, como deve ser. Em momento algum, o uso dos óculos deve vir acompanhado da expectativa de  “se usar agora, o grau não vai ficar tão alto no futuro” ou ainda “se você usar os óculos neste período quando ficar mais velho não precisará mais usar”. Estes são raciocínios falsos.

Quanto mais cedo usamos óculos mais ficamos dependentes deles ao longo da vida. Será mesmo necessário? Não creio. A maioria de nós deveria ser capaz de ter uma visão boa e confortável até a meia idade, quando a “vista cansada” começa. E não é o que tem acontecido.

Cada vez aumenta mais o numero de queixas visuais em crianças e jovens. E cada vez mais cedo. Em parte pelo estilo de vida. O uso excessivo de monitores, celulares e games aumentou muito a exigência de um sistema visual que não foi preparado para esta sobrecarga de trabalho. A qualidade da visão não é fruto apenas do “grau” do olho. Ou apenas da quantidade de visão que se tem. É muito mais complexo.

Com certeza,quanto maior o tempo que dedicamos às tarefas discriminativas visuais e em condições adversas,como postura errada,distancia de leitura inapropriada e não fazemos pausas em intervalos regulares,maior será o numero e a intensidade das queixas visuais.Nestes momentos costuma ser prescritos óculos para eliminar sintomas.

Mas, quando as ametropias são pequenas (a maioria das vezes),os óculos são utilizados por um tempo e quando mudamos de trabalho, de carga  horária ou aprendemos a otimizar as tarefas,vamos aos poucos prescindindo dos óculos.Muitas vezes esquecemos deles numa gaveta para só usar quando voltamos a estar em situações de grande exigência visual como vestibular, estudo para concurso,pesquisa e digitação para teses de mestrado ou doutorado,etc.

A maior parte de nós tem hipermetropia leve e um astigmatismo também pequeno que, se tudo correr bem,só iremos precisar corrigir mesmo,para melhorar a qualidade da visão.E após os 30-40 anos,ou um pouco mais tarde.Principalmente se não temos nenhuma disfunção motora ocular.E mesmo que estejam presentes elas podem facilmente ser compensadas,dispensando o uso dos óculos.

Cada olho tem seis músculos que ao se contraírem ou relaxarem, numa coreografia extremamente delicada e interessante, permitem as várias posições do olhar. Os dois olhos trabalham numa sincronicidade ímpar! Isto para fazer chegar ao córtex visual (cérebro) as informações de forma a que possam ser superpostas, permitindo maior detalhamento e sem o inconveniente da visão dupla ou confusa. Depois desta etapa temos o processamento da imagem nos centros corticais específicos para nos permitir melhor localização no espaço, além de dados importantes ao nosso equilíbrio postural. A informação visual passa então pela análise da área responsável pela cognição, no cérebro, onde é “traduzida”,  possibilitando assim a compreensão do que é visto e lido.

E, também aqui, uma etapa depende da outra para que tudo funcione a contento.

Não é complexo o processo?